Como a hipnoterapia ajudou um homem de 55 anos a recuperar a capacidade de comunicar e a motivação para viver
Terapeuta responsável: Teresa Ratão
Em poucas linhas
Homem, 55 anos, motorista, casado, 2 filhas. Apresentava falta de motivação, cansaço mental profundo e falta de energia. Não conseguia expressar-se, ficava muito nervoso quando tinha que falar com alguém e por isso evitava sempre que podia. Sentia-se vazio, sem vontade de estar com outras pessoas, com tristeza constante e, nas suas palavras, “sentia-se um zero”.
Ao longo de 4 sessões de hipnoterapia (levitação da mão, auto-hipnose, cofre, regressão a vidas passadas, recodificação de experiências), a principal mudança ocorreu na capacidade de comunicar: passou a conseguir falar com maior clareza e facilidade, mudou de emprego para uma função que exige reunir com arquitetos e engenheiros, e já não se sente nervoso nessas situações.
O que a pessoa sentia
Sintomas emocionais
- Falta de motivação profunda
- Cansaço mental
- Falta de energia
- Incapacidade de se expressar — ficava muito nervoso quando tinha que falar com alguém
- Evitava comunicar sempre que possível
- Sensação de vazio
- Sem vontade de estar com outras pessoas
- Tristeza constante
- Sentimento de ser “um zero”
Contexto pessoal relevante
Casado, 2 filhas. É na família que encontra a razão de viver. Gosta de actividade ao ar livre, de preferência radicais, adora viajar com a família. Trabalha como motorista.
Este problema afectava a sua vida no geral. Para além da tristeza, muitas vezes sentia-se “um zero”.
O que foi feito
4 sessões de Hipnose Clinica com intervalos variáveis, medição através de:
- Escala (método principal de avaliação devido à grande dificuldade de comunicação do paciente)
- Questionamento
- Feedback no início de cada sessão
Objetivo terapêutico global
Recuperar a motivação, reduzir o cansaço mental, aumentar a energia e, especialmente, recuperar a capacidade de se expressar e comunicar sem nervosismo.
Evolução ao longo das sessões
Nota importante: O principal desafio deste caso foi a grande dificuldade de comunicação com o paciente. A forma de perceber o rumo a seguir foi a utilização da escala e muito questionamento, que na maioria das vezes resultava em respostas sim/não.
Sessão 2
Feedback: Sentiu-se mais calmo, menos confuso, mas não conseguiu verbalizar muito mais. Sentiu-se melhor. Não praticou auto-hipnose.
Sessão 3
Feedback: No geral sentiu-se mais leve e melhor (não conseguiu verbalizar as emoções).
Sessão 4
Feedback: Passou algum tempo entre a última sessão. As principais diferenças: CONSEGUE COMUNICAR COM MAIOR CLAREZA E FACILIDADE. Foi fazer formação, MUDOU DE EMPREGO, e neste novo emprego tem que reunir com arquitetos e engenheiros — tem maior facilidade e NÃO SE SENTE NERVOSO.
O que mudou (quantitativo)
| Sintoma | Início | Sessão 4 (Final) |
| Capacidade de comunicar | Não conseguia expressar-se, muito nervoso ao falar | Comunica com maior clareza e facilidade |
| Nervosismo social | Evitava falar com pessoas | Não se sente nervoso (mesmo em reuniões profissionais) |
| Situação profissional | Motorista | Mudou de emprego — função que exige reunir com arquitetos e engenheiros |
| Estado emocional geral | Vazio, sem motivação, “sentia-se um zero” | Mais leve, melhor, mais tranquilo |
| Cansaço mental | Presente | Reduzido (inferido pela capacidade de fazer formação e mudar de emprego) |
Evolução emocional e insights da regressão
A regressão a vidas passadas (sessão 3) revelou uma memória directamente relacionada com o sintoma presente: a incapacidade de se expressar, o nervosismo ao falar, o evitamento da comunicação.
Após trabalhar esta memória e fazer a recodificação de experiências desagradáveis do passado (sessão 4), o paciente recuperou a capacidade de comunicar. A mudança foi tão significativa que conseguiu mudar de profissão para uma função que exige comunicação constante com profissionais técnicos — algo impensável no início do processo.
Conclusão
1. A mudança mais significativa foi na capacidade de comunicar: de não conseguir expressar-se e evitar falar, para comunicar com clareza e facilidade.
2. O nervosismo social desapareceu — consegue reunir com arquitetos e engenheiros sem se sentir nervoso.
3. A mudança de emprego para uma função que exige comunicação constante demonstra a profundidade da transformação.
4. A regressão a vidas passadas revelou uma memória de silenciamento forçado — padrão que ressoava directamente com o sintoma presente.
5. O principal desafio terapêutico foi a grande dificuldade de comunicação inicial — a forma de contornar foi usar escalas e questionamento sim/não.
6. O Cofre (sessão 2) foi uma técnica particularmente impactante: o paciente “carregou coisas que nem sabia que tinha”.
7. A evolução emocional foi de vazio e sensação de ser “um zero” para sentir-se mais leve, melhor e tranquilo.
8. 4 sessões foram suficientes para uma mudança significativa que permitiu reintegração profissional e social.
Privacidade e transparência
Caso clínico real, partilhado com dados desidentificados.
Não são utilizados nomes reais.
Os dados apresentados correspondem exclusivamente ao registo clínico sessão a sessão.
Estudo de caso realizado no âmbito da formação profissional em Hipnoterapia.