O que comemos influencia a dor nas costas?
Estudo: Elma Ö, Tümkaya Yilmaz S, et al. (2023)
Revista: The Journal of Pain (Elsevier), com revisão por pares
Tipo: Estudo de caso-controlo (compara pessoas com dor lombar com pessoas saudáveis)
Participantes: 106 pessoas: 53 com dor lombar crónica e 53 saudáveis
Link: PubMed 37659446 · DOI
Introdução
A coluna é dos primeiros sítios a sofrer quando o corpo está num estado de inflamação de fundo. E a alimentação é um dos fatores que mais influencia essa inflamação. Este estudo perguntou: as pessoas com dor lombar crónica comem de forma diferente das saudáveis? E essa diferença liga-se a serem mais sensíveis à dor?
O que os investigadores fizeram
Compararam 53 pessoas com dor lombar crónica e 53 pessoas saudáveis. Cada uma registou tudo o que comeu durante 3 dias, e a partir daí calcularam a qualidade da dieta e o quanto ela era pró-inflamatória. Depois mediram a sensibilidade à dor de cada pessoa com testes objetivos.
Resultados
| As pessoas com dor lombar crónica, comparadas com as saudáveis, tinham: |
- pior qualidade global da alimentação;
- uma dieta mais pró-inflamatória (mais alimentos que alimentam a inflamação);
- menos consumo de nutrientes com efeito anti-inflamatório e antioxidante, como as vitaminas A, D, E, B6, B12 e o zinco;
- menos consumo de água.
E havia uma ligação clara: quanto mais pró-inflamatória era a dieta, maior a sensibilidade à dor. Os mesmos nutrientes anti-inflamatórios associavam-se a sentir menos dor. Curiosamente, vários destes nutrientes (B12, B6, zinco) são também os que o corpo precisa para reparar tecidos da coluna. Importa explicar porque é que aqui não se fala em percentagem de melhoria: este estudo não tratou ninguém nem usou placebo. Comparou os hábitos de quem já tinha dor com os de quem não tinha. Por isso mostra associações fortes, mas não uma percentagem de melhoria de um tratamento.
Como interpretar isto na prática
Este estudo não prova que mudar a dieta cura a dor (é um retrato comparativo, não um teste de tratamento). Mas mostra uma associação consistente entre comer pior, ter mais inflamação e ser mais sensível à dor lombar. Reforça a ideia de que a alimentação é uma alavanca real sobre o terreno onde a dor da coluna se desenvolve, sobretudo pela via da inflamação e dos nutrientes de reparação.
| Força da evidência: moderada (associação, não causa)Bom estudo comparativo, com 106 pessoas e medições objetivas da dor. Mostra ligações fortes, mas por ser caso-controlo não prova relação de causa e efeito. Aponta o caminho para estudos de intervenção alimentar. |
Referência completa
Elma Ö, Tümkaya Yilmaz S, Nijs J, et al. Proinflammatory Dietary Intake Relates to Pain Sensitivity in Chronic Nonspecific Low Back Pain: A Case-Control Study. The Journal of Pain. 2023. PMID: 37659446.