Um estudo de caso real sobre cicatriz aderente, lombalgia e cansaço crónico acompanhados com Terapia Sacro-Craniana
Terapeuta responsável: Magali Diana Sá Alves
Em poucas linhas
Homem, 31 anos, com cicatriz antiga na perna esquerda (cirurgia em 2000), que procurou acompanhamento com o objetivo principal de melhorar o aspeto da cicatriz. Apresentava lombalgia diária (9/10) e cansaço generalizado associado a maus hábitos de sono por trabalho por turnos.
Foi aplicado protocolo base de Terapia Sacro-Craniana com toque E-bio e trabalho fascial local na cicatriz, ao longo de 5 sessões mensais.
Ao final do processo:
- Lombalgia passou de 9/10 diária para 0
- Cansaço generalizado passou de 10/10 diário para 0
- A cicatriz tornou-se mais maleável, com alteração visível de cor e reaparecimento de pelos
O que a pessoa sentia
Sintomas físicos
- Lombalgia diária intensa (9/10 na escala 0–10)
- Rigidez corporal
- Cicatriz aderente, colada aos tecidos, sem mobilidade
- Sensação de cansaço generalizado
- Sono irregular devido a trabalho por turnos
Sintomas emocionais
- Desmotivação geral
- Negatividade em relação ao futuro
- Vontade de despedir-se do emprego, mas sem energia para agir
- Emoções confusas
Contexto pessoal relevante
- 31 anos
- Controlador de qualidade numa peixaria
- Diagnóstico de escoliose
- Cirurgia para extração de sinal na perna esquerda no ano 2000
- Não fazia medicação crónica
- Nunca tinha experimentado a técnica
O que foi feito
Técnicas aplicadas
- Protocolo base de Terapia Sacro-Craniana
- Toque E-bio
- Massagem fascial direta na cicatriz
O trabalho na cicatriz foi realizado de forma lenta e progressiva, com mobilização suave dos tecidos aderentes.
Duração e frequência
- 5 sessões
- 1 sessão por mês
Objetivo terapêutico global
Embora o objetivo inicial fosse melhorar o aspeto da cicatriz, o enquadramento clínico considerou a cicatriz como possível foco de tensão fascial e desorganização tensional global.
A intenção foi devolver mobilidade tecidular e permitir reorganização do equilíbrio corporal.
Evolução ao longo das sessões
Fase inicial (1ª e 2ª sessões)
Na primeira sessão:
- Forte rigidez na perna com cicatriz
- Tecidos praticamente imóveis
- Sensação intensa de “eletricidade” e tremor corporal durante a sessão
- O paciente adormeceu durante o tratamento
Sintomas mantinham-se:
- Lombalgia 9/10 diária
- Cansaço 10/10 diário
Na segunda sessão:
- Já havia sinais de movimento na cicatriz
- Menor tremor corporal
- Sensação de calor na zona diafragmática
- Paciente começou a olhar para a cicatriz — algo que evitava há anos
Fase intermédia (3ª e 4ª sessões)
Na terceira sessão:
- Espasmos corporais
- “Estalinhos” na zona do diafragma pélvico
- Calor intenso nos pés
- Cicatriz mais maleável
Lombalgia reduziu para 5 (frequência semanal)
Emocionalmente:
- Entusiasmo com a evolução da cicatriz
- Mantinha conflito interno em relação à mudança profissional
Na quarta sessão:
- Corpo mais equilibrado
- Sem eletricidade ou espasmos
- Movimento bilateral mais harmonioso
- Persistia resistência emocional à mudança
Fase final (5ª sessão)
Na última sessão:
- Corpo equilibrado
- Sem espasmos
- Cicatriz com mobilidade evidente
- Alteração de coloração
- Reaparecimento de pelos na zona cicatricial
Escala de sintomas:
- Lombalgia: 0
- Cansaço generalizado: 0
O processo decorreu com oscilações internas e resistência emocional à mudança, mas a reorganização física consolidou-se.
O que mudou
| Indicador | Início | Final |
| Lombalgia | 9/10 diária | 0 |
| Cansaço generalizado | 10/10 diário | 0 |
| Mobilidade da cicatriz | Tecidos colados | Tecidos móveis |
| Cor da cicatriz | Esbranquiçada | Nova coloração |
| Presença de pelos | Ausente | Reaparecimento |
Dados baseados na escala 0–10 (0 nulo; 10 máximo)

Evolução emocional
O processo mostrou algo relevante: a reorganização física ocorreu paralelamente a um confronto interno com mudança de vida.
O paciente demonstrava relaxamento profundo durante as sessões, mas também resistência à transformação fora do consultório. Houve dificuldade em marcar sessões seguintes e forte negatividade perante novas oportunidades
Isto revela que a integração não é apenas mecânica — envolve disponibilidade interna.
Conclusão
Neste caso, a Terapia Sacro-Craniana demonstrou efeitos que ultrapassaram o objetivo inicial de melhorar o aspeto da cicatriz.
Ao longo das cinco sessões, observou-se:
- Redução progressiva e sustentada da lombalgia (de 9/10 diária para 0)
- Desaparecimento do cansaço generalizado (de 10/10 diário para 0)
- Recuperação da mobilidade tecidular na cicatriz
- Alteração visível da coloração e reaparecimento de pelos na zona cicatricial
- Maior equilíbrio tensional global
A resposta não foi linear. Surgiram fases intermédias com espasmos, sensação de calor e reorganização corporal, indicativas de adaptação do sistema nervoso e libertação de tensão fascial acumulada.
Este caso reforça um princípio fundamental: uma cicatriz antiga pode manter padrões de tensão ativos durante anos, influenciando dor à distância e estados de fadiga persistente. Quando a mobilidade tecidular é devolvida, o corpo tende a reorganizar-se de forma global.
A estabilização final observada sugere que, mesmo após décadas, o organismo mantém capacidade de adaptação e recuperação quando lhe é devolvida a possibilidade de movimento e equilíbrio.
Privacidade e transparência
Caso clínico real, apresentado em contexto formativo TESED.
Dados desidentificados.
Escalas, frequências e evolução respeitam os registos originais.