Ligações

  • 21 Fevereiro, 2019

 

– Mestre, está a acontecer uma coisa muito estranha comigo.

– Tudo nesta vida tem um propósito…

– Sim, tu já falaste comigo sobre isso. Mas o que está a acontecer é mesmo muito esquisito. Cada vez existem mais pessoas que vêm falar comigo sobre temas que as preocupam. Isso não me acontecia antes! Foi de um momento para o outro! Começou com as pessoas que estavam mais perto de mim, e agora vêm ter comigo pessoas que eu não conheço, nem nunca vi!

– Isso não é estranho. Isso é normal!

– Normal?! Não é nada normal!

– Quando o teu nível vibratório aumenta, as pessoas reconhecem isso, sentem-se atraídas, querem saber quem tu és e o que tens para dizer.

– Mas eu estou com alguma dificuldade num tema que, por acaso, até é aquele pelo qual a maior parte das pessoas vêm ter comigo.

– Quando isso acontece significa que, tens de resolver os temas que estão relacionados com esse assunto na tua vida.

– Isso então ainda é mais curioso. Eu não tenho problemas relacionados com isso na minha vida!

– Possivelmente ainda não tens consciência, mas se analisares melhor talvez consigas relacionar algumas situações. Vamos deixar-nos de conversa abstracta e ir ao que interessa, que tema é esse?

– Relacionamentos e ligações. São ligações “kármicas”…

– Interessante que te refiras desse modo a essas situações. Deixa-me começar a desiludir-te. Ligações “kármicas” é coisa que não existe.

– Mas Mestre, isso então deixa-me confuso, como é que não existem? Todos dizem que existem e é um tema que está bem na moda. Quando não temos explicação para o que se está a passar, dizemos que é “kármico” e pronto, não há nada a fazer, o assunto está resolvido…

– Nós estamos todos ligados, como se fossemos uma rede. Por isso, “karmicamente” falando, temos uma ligação com todos. Mesmo alguém que está do outro lado do planeta, que nunca vi e com quem, pelo menos nesta vida, não me irei cruzar, pode estar a bloquear a minha aprendizagem mantendo o meu ciclo repetitivo. Significa que o assunto não tem resolução.

– Não tem mesmo resolução?

– Claro que tem. Tudo tem solução. Tudo é possível!

– E como é que isso se faz?

– Primeiro temos de entender que existem diferentes tipos de relação, e que esses vários tipos de relação estão dependentes daquilo que nós queremos experienciar. Mas mais importante do que isso é, em que bases as ligações dessas relações estão construídas?

– Mestre, eu nunca ouvi falar disso assim, base de construção de uma ligação? O que é isso?!

– Temos de compreender que as ligações são construídas ou numa base electromagnética ou numa base biogravítica.

A base biogravítica é a base de construção original e todos nós estamos ligados dessa forma.

No entanto, e apesar de existir em todos nós, ligando-nos todos a todos, ela é mais forte com aqueles que na sua base espiritual estão mais perto de nós, ou seja, existe uma ligação directa. Esta ligação é uma ligação libertadora. Estamos ligados mas ela não nos prende, deixa-nos voar, não exige nada em troca…

– Esse ponto de vista é interessante…

– A ligação indirecta liga-nos às segundas linhas de base espiritual e apenas para facilitar o entendimento, vamos considerar que não existe conexão biogravítica.

– Significa então que apesar de estarmos todos ligados, quando é feita de forma indirecta a ligação não tem grande relevância no processo!

– Tem, mas vamos considerá-la, para simplificar, como ténue. Agora, a ligação de base electromagnética, é construída por nós durante as nossas vidas anteriores e especialmente na actual, não tem base espiritual, é apenas uma construção nossa e está ligada à nossa experiência terrestre. É normalmente uma ligação pesada. Exige coisas em troca para funcionar e cobra quando isso não acontece.

– Hum! Estou a ver…

– Interessante é que temos relações em que só existe ligação de base biogravítica, outras de base electromagnética e outras ainda em que ambas existem.

– Isso está tudo bem… apesar de não ser fácil de entender o que dizes. Mas que implicações é que tem nas relações?

– As de ligação puramente biogravítica são ligações limpas e delas já falámos. Das de ligação puramente electromagnética também já falámos mas gostava de acrescentar que, quando as resolvemos afastamo-nos naturalmente dessas pessoas. Seguimos o nosso caminho e em parte até sentimos alívio por isso. Essas ligações eram limitadoras e manipuladoras sem propósito útil. O facto de nos libertarmos desse tipo de ligações permite que a nossa vida ganhe novas perspectivas e até surgem novas relações, a maior parte das vezes mais saudáveis que as anteriores.

– Curioso o que me estás a dizer…!

– Mas o melhor deixei para o fim, as ligações de base mista. A ligação electromagnética não deixa a biogravítica manifestar-se; e relações que poderiam ser plenas transformam-se em relações de prisão, chantagem, conflito e manipulação. Quando a ligação electromagnética desaparece, a relação tem a oportunidade de se revelar na sua grandeza e é comum as pessoas aproximarem-se e criarem relações de respeito e entendimento mútuo.

– Mas como é que eu quebro essas ligações e deixo que as verdadeiras se manifestem, em vez das que são ilusórias?

– Essas ligações electromagnéticas foram criadas pela mente, portanto tens de organizá-la e “limpá-la” para que isso possa acontecer.

– Mas como é que eu começo a fazer isso?

– Se recordares as conversas que temos tido e todos os processos que te mencionei, verás que te ajudam igualmente na definição das relações que são adequadas a ti.

Mas de uma forma mais prática, existem dois processos que são essenciais: O primeiro, é procurar soluções em vez de ficar fixo em problemas.

O segundo, é começares a decidir a tua vida pensando em ti em primeiro lugar, tu és a pessoa mais importante do mundo.

– Mas isso é um pouco complicado…

– Porquê?

– Tenho de pensar primeiro nos meus filhos, depois de eles estarem bem então penso em mim.

– Fazes isso porque te ensinaram assim. Devo-te dizer que estás a ser egoísta.

– Egoísta?! Estou a pensar primeiro neles e só depois em mim e dizes-me que estou a ser egoísta? Não estás a ser justo e penso até que estás a ver as coisas ao contrário!

– Compreendo que não estejas a entender pois estou a ir contra todas as crenças essenciais que foste e foram inserindo na tua mente.

– Estou a ficar apreensivo com o rumo desta conversa e não me estou a sentir nada confortável…

– Se fores tirar um curso de primeiros socorros, dizem-te que primeiro tens de cuidar de ti e só depois podes salvar os outros. Dizem-te para verificares se tens as condições para ir em socorro de outro, e se não as tens, não interfiras, pois o risco de ficarem lá os dois é muito grande. Para além disso vais dar mais trabalho a quem pode efectivamente salvar.

Se viajares de avião, as hospedeiras durante as instruções para situações de emergência, informam-te que, se a mascara de oxigénio cair deves colocar primeiro em ti e só depois nos teus filhos.

Qual a razão para em ambas as situações insistirem no mesmo ponto?

– Não sei, nunca tinha pensado nisso.

– Simples, são regras básicas de sobrevivência. Se tu não estiveres bem não consegues salvar ninguém e corres o risco de levares contigo o outro que estava a precisar de ajuda. Mais, corres o risco de quem precisava de ajuda ainda ter de te ajudar. A situação já era difícil para ele, com a tua ajuda ficou impossível. E dizes tu que isso não é egoísmo, para além de egoísmo ainda é estupidez, e peço desculpa pelo tom, espero que não te ofendas.

– Mestre, estou de boca aberta, não sei o que dizer!

– Mas ainda te digo mais, qual a razão para tratares primeiro dos teus filhos esquecendo-te de ti?

– Quero que eles estejam bem!

– E quando eles não estão bem o que é que sentes?

– Sinto-me triste e incapaz…

– E se lhes acontecesse alguma coisa mais grave, como te sentirias?

– Não entendi, que tipo de coisa grave?

– Por exemplo, uma doença grave que lhe pusesse em risco a vida.

– Penso que me iria sentir mesmo em baixo como se o mundo estivesse todo contra mim. Sofreria bastante, eu luto e peço constantemente para que isso não aconteça!

– Certo. Reparaste que quando não queres que aconteça alguma coisa aos teus filhos estás a pedir para que tu não sofras? Na realidade estás a ter uma segunda intenção no que fazes. Cuidas deles para ti. Estás de facto a pensar em ti. Estás a dar para receber. E chamas a isso amor incondicional pelos teus filhos?

E repara que estás a fazer o mesmo que eu te estava a sugerir, que era pensares em ti, embora com uma agravante. Estás a usar os teus filhos para o fazeres mas numa direcção diferente da que eu te falei. Eu estava a propor-te que cuidasses de ti e que por consequência os teus filhos iriam estar bem e, se não estivessem, tu estarias em condições de os ajudar.

O modo como o fazes actualmente vai contra as regras básicas de segurança, estás a ajudá-los sem teres as condições para o fazeres, implica que tanto tu como os teus filhos poderão ficar “doentes”. Ou seja, irá acontecer aquilo que tu não querias que acontecesse, com a consequência que ambos agora vão precisar de auxílio para saírem de lá. O que é de facto egoísmo?

– Começo a perceber o teu ponto de vista. Mas sabes que não é fácil ver isso assim e penso que ainda é mais difícil agir dentro desse conceito…

– Eu sei. Mas se estiveres disponível, podes aprender a agir da forma mais adequada. Pensa em ti e disponibiliza para os outros o que conseguires, essa é a forma de começares a quebrar as ligações que não são saudáveis e que só te criam dependência. E questiona-te: Se não precisasses de nada – e quando digo nada é mesmo nada – estavas neste momento onde estás ou estarias noutro local? E farias o que estás a fazer na tua vida ou estarias a fazer outra coisa bem diferente?

Ao mesmo tempo, olha para os assuntos do ponto de vista da solução em vez do ponto de vista do problema. Mas sobre isto conversaremos noutra altura.

Por: Paulo Pais in “Conversas com o Mestre”