Introdução
A neuropatia periférica induzida por quimioterapia (CIPN) é um dos efeitos secundários mais limitantes do tratamento oncológico.
Provoca dor, formigueiros e perda de sensibilidade que, em muitos casos, não têm tratamento eficaz na medicina convencional.
Mas em 2018, um grupo de investigadores liderado por Kurt et al. publicou um ensaio clínico aleatorizado que trouxe uma nova esperança: a reflexologia podal pode aliviar significativamente estes sintomas e melhorar a função nervosa.
👉 Ler o estudo original em PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29353627/
O que investigou o estudo de Kurt et al. (2018)
O estudo envolveu 60 doentes oncológicos em tratamento com quimioterapia, divididos em dois grupos:
um recebeu sessões regulares de reflexologia durante o ciclo terapêutico e o outro recebeu apenas os cuidados médicos habituais.
As sessões foram realizadas por profissionais treinados, com estímulos nos pontos reflexos dos pés correspondentes ao sistema nervoso periférico e aos órgãos de eliminação (fígado, rins e linfa).
Cada sessão durava cerca de 30 minutos, aplicadas duas vezes por semana.
Resultados principais
Os resultados foram claros:
- O grupo da reflexologia apresentou redução significativa da dor e do formigueiro nas extremidades.
- Houve também melhoria da força muscular e da capacidade de marcha.
- Os efeitos mantiveram-se nas avaliações de seguimento, semanas após o término das sessões.
Além disso, os participantes relataram melhor qualidade de sono, menos ansiedade e sensação geral de bem-estar, mostrando que o benefício ultrapassa a dimensão física.
Porque este estudo é relevante
Durante muito tempo, acreditou-se que a neuropatia da quimioterapia era irreversível — uma consequência inevitável dos tratamentos.
Este estudo vem desafiar essa ideia, mostrando que técnicas manuais simples, seguras e não invasivas, podem estimular a regeneração e o reequilíbrio do sistema nervoso periférico.
A reflexologia, ao atuar sobre pontos reflexos dos pés, ativa a microcirculação e o sistema linfático, ajudando o corpo a eliminar resíduos metabólicos e a restaurar a comunicação entre o sistema nervoso central e as extremidades.
Pequenos toques com grande impacto — é assim que a reflexologia transforma a forma como o corpo reage à dor.
O que ainda falta compreender
Embora os resultados sejam promissores, trata-se de um estudo piloto, com amostra relativamente pequena.
São necessários ensaios multicêntricos de maior dimensão para confirmar e expandir estes achados, especialmente noutros tipos de quimioterapia e em diferentes fases do tratamento.
Mesmo assim, o trabalho de Kurt et al. reforça a importância de incluir terapias complementares baseadas no toque nos cuidados de suporte ao paciente oncológico.
Conclusão
O estudo de Kurt et al. (2018) demonstra que a reflexologia pode desempenhar um papel real no alívio da dor e da neuropatia associada à quimioterapia.
Mais do que um cuidado relaxante, esta terapia mostra-se uma ferramenta terapêutica que ajuda o corpo a reencontrar o seu equilíbrio natural, complementando a medicina convencional com resultados visíveis e humanos.