Espondilite anquilosante: estudo de caso com sacro-craniana

7 Mai, 2026 | Casos Reais

Como cinco sessões de protocolo base reduziram dor crónica, melhoraram o sono e devolveram autonomia a uma mulher com EA

Terapeuta responsável: Alexie Barbosa
Técnica aplicada: 
Protocolo de Base Sacro-Craniano
Duração do acompanhamento: 
5 sessões (14 janeiro a 19 fevereiro 2026)

Em poucas linhas

C.S., 45 anos, fotógrafa e terapeuta, vivia há 17 anos com Espondilite Anquilosante (EA). Dores lombares diárias (7/10), fadiga intensa ao acordar, necessidade de osteopatia mensal para conseguir algum alívio. Em cinco sessões de terapia sacro-craniana, a dor baixou para 0/10 no dia-a-dia, o sono tornou-se mais profundo, deixou de acordar para urinar e ficou três meses sem precisar de osteopatia — período inédito desde o diagnóstico.

O caso ilustra o potencial da abordagem sacro-craniana em doenças inflamatórias crónicas, não como substituto da medicação, mas como terapia complementar que actua sobre sistema nervoso, tensões fasciais e regulação autonómica.

O que a pessoa sentia

Sintomas físicos

Dores nas costas (Espondilite Anquilosante)
Intensidade: 
7/10 sem osteopatia; 4/10 com osteopatia mensal
Padrão: 
dor permanente, todos os dias, agravamento 1-2 dias antes da injeção quinzenal (subindo para 8/10)
Impacto: 
necessidade de osteopatia todos os meses para manter algum conforto

Fadiga (Hipersónia)
Intensidade: 
7/10 ao acordar
Diagnóstico médico: 
teste do sono (TLMS) com necessidade de 12 horas/noite
Padrão: 
cansaço permanente, todos os dias, mesmo dormindo 6 horas (insuficientes)

Sintomas emocionais

Stress/pressão no trabalho
Intensidade: 
7/10, permanente
Descrição: 
sentimento de pressão constante, culpa por trabalho atrasado

Sono interrompido
Frequência: 
todas as noites, 1-2 vezes por noite para urinar
Impacto: 
sono não reparador, agravamento da fadiga

Contexto pessoal relevante

  • 45 anos, casada, três filhos (18, 16 e 13 anos)
  • Profissão: fotógrafa e terapeuta
  • Actividade física regular: ginásio 3x/semana
  • Medicação estável para EA: Cimzia (injeção quinzenal), Ledertrexato, Folicil
  • Medicação para menopausa: Etreva, Progestan
  • Medicação para hipersónia: Ritalina (só quando necessário)
  • Última sessão de osteopatia antes do estudo: 03/12/2025
  • Historial: EA desde os 28 anos, menopausa desde 2022, hipersónia há mais de 20 anos

O que foi feito

Técnica aplicada: Protocolo de Base Sacro-Craniano
Número de sessões: 
5
Duração do acompanhamento: 
36 dias (5 semanas)
Frequência: 
semanal

Objetivo terapêutico global

Da terapeuta: avaliar o impacto do protocolo base sacro-craniano na Espondilite Anquilosante e perceber se poderia influenciar a sintomatologia.

Da paciente: alívio das dores, diminuição dos picos de inflamação, bem-estar geral.

Nota metodológica importante

Durante todo o período do estudo, a paciente não fez osteopatia (habitualmente fazia 1x/mês). Esta decisão permitiu isolar o efeito específico da terapia sacro-craniana, sem interferência de outras terapias manuais.

A medicação manteve-se inalterada ao longo de todo o acompanhamento.

Evolução ao longo das sessões

Fase inicial — Sessões 1 e 2 (14 e 21 janeiro)

Sessão 1 (14/01/2026)

Apresentação: pessoa bem-humorada, sorridente, mas curiosa e com dificuldade em deixar-se ir durante a sessão.

Observações físicas: corpo muito pesado, formigueiro em alguns dedos da mão esquerda, dor ligeira na omoplata direita durante a sessão.

Última injeção: 05/01; próxima prevista: 19/01.

Sessão 2 (21/01/2026)

Mudança importante no padrão pré-injeção:

Habitualmente, 1-2 dias antes da injeção, sentia dores intensas (8/10), como se “o corpo avisasse que está na hora”.

Desta vez: apenas algumas dores lombares, mais desconfortáveis do que dolorosas (4/10).

Evolução emocional:

  • Stress/pressão: de 7/10 para 5/10
  • Sono: três noites sem acordar

Observações: pessoa bem-humorada, conseguiu relaxar-se mais, continua com formigueiro na mão esquerda.

Fase intermédia — Sessão 3 (04 fevereiro)

Contexto emocional: chegou preocupada com os pais (tempestade), trabalho atrasado.

Dia de injeção: dor avaliada em 6/10 (descida face ao padrão habitual).

Evolução emocional:

  • Stress/pressão: 6/10 (ligeiro aumento devido ao trabalho)
  • Sono: três noites sem acordar; nas restantes, acordou apenas 1x por noite

Observação física: formigueiro nas mãos desapareceu durante a sessão.

Fase de consolidação — Sessões 4 e 5 (12 e 19 fevereiro)

Sessão 4 (12/02/2026)

Apresentação: chegou com sorriso, refere sentir-se melhor, gosta de vir às sessões.

Próxima injeção: 16/02.

Evolução física:

  • Dor no dia-a-dia: 0/10
  • Dor em certos movimentos ao fim do dia: 3/10
  • Mais de 2 meses sem osteopatia (inédito desde o diagnóstico)

Evolução emocional:

  • Fadiga ao acordar: de 7/10 para 5/10 (menos cansada, mais energia)
  • Stress/pressão: 3/10 (“lido com as situações com mais leveza”)
  • Sono: mais profundo, já não acorda com pequenos ruídos

Observações pós-sessão: ligeira dor na omoplata após a sessão, que durou algumas horas e desapareceu.

Durante a sessão: relaxamento profundo.

Sessão 5 (19/02/2026)

Balanço final:

  • 3 meses sem osteopatia, sente-se muito bem
  • Dor física no dia-a-dia: 0/10
  • Antes da injeção: dores desconfortáveis, não dolorosas
  • Sono: mais profundo
  • Stress/pressão: 2/10 (“vejo as situações com mais distanciamento, sinto-me menos culpada pelo trabalho atrasado”)
  • Sono interrompido: acordou uma noite apenas desde a última sessão

O que mudou

Tabela comparativa — Início vs Final

SintomaEstado inicialEstado final (após 5 sessões)
Dor nas costas (EA)7/10 sem osteopatia; 4/10 com osteopatia mensal; dor permanente0/10 no dia-a-dia; sem osteopatia há 3 meses
Dor pré-injeção8/10 (1-2 dias antes)Desconfortável, não dolorosa
Fadiga ao acordar7/10 permanente3/10; sono mais profundo
Stress/pressão (trabalho)7/10 permanente2/10; menos culpa, mais distanciamento
Acordar para urinarTodas as noites, 1-2xUma noite apenas na última semana
Formigueiro mão esquerdaPresente em várias sessõesDesapareceu
Necessidade de osteopatiaMensal (essencial)Sem osteopatia há 3 meses (inédito)

Evolução emocional

A mudança emocional foi tão marcante quanto a física — e provavelmente inseparável dela.

Do “corpo pesado” ao relaxamento profundo

Sessão 1: “corpo muito pesado”, dificuldade em deixar-se ir, curiosa.

Sessão 2: “conseguiu relaxar-se mais, deixar-se levar”.

Sessão 4: “relaxamento profundo” durante toda a sessão.

Esta progressão sugere uma descida gradual da hipervigilância do sistema nervoso, que em contexto de dor crónica tende a manter o corpo em estado de alerta permanente.

Do stress à leveza

Sessão 1: stress/pressão 7/10 — “sentimento de pressão permanente, culpa por trabalho atrasado”.

Sessão 5: stress/pressão 2/10 — “vejo as situações com mais distanciamento, sinto-me menos culpada”.

Não houve mudança nas circunstâncias de trabalho. O que mudou foi a relação com a pressão — um efeito típico da regulação autonómica, quando o sistema nervoso parassimpático recupera espaço.

Do sono fragmentado ao sono reparador

Sessão 1: acorda todas as noites, 1-2x para urinar.

Sessão 2: três noites sem acordar.

Sessão 4: “sono mais profundo, já não acordo com pequenos ruídos como antes”.

Sessão 5: acordou uma única noite desde a última sessão.

O padrão de noctúria (acordar para urinar) pode estar relacionado com hiperactivação simpática nocturna — o corpo não entra suficientemente em modo parassimpático. A melhoria do sono sugere restauro do ritmo circadiano e da regulação autonómica.

Conclusão

Este caso ilustra cinco pontos centrais sobre a aplicação da terapia sacro-craniana em contexto de doença inflamatória crónica:

1. A dor crónica não é apenas inflamatória — é também neurológica

A Espondilite Anquilosante provoca inflamação nas articulações sacro-ilíacas e coluna vertebral, mas a dor crónica associada envolve também sensibilização central, tensão fascial e hiperactivação do sistema nervoso simpático. A terapia sacro-craniana actua precisamente nesses três eixos: libertação de tensões profundas, regulação autonómica e reorganização do sistema nervoso. A descida de dor de 7/10 para 0/10 no dia-a-dia, sem alteração na medicação, sugere que esta componente neurológica estava significativamente activa.

2. Três meses sem osteopatia — um marco clínico real

Antes do acompanhamento, a paciente dependia de osteopatia mensal para baixar a dor de 7/10 para 4/10. Após cinco sessões de sacro-craniana, ficou três meses sem osteopatia — período inédito desde o diagnóstico — mantendo-se sem dor no quotidiano. Este dado aponta para uma estabilização estrutural e neurológica que a osteopatia, apesar de eficaz, não estava a conseguir consolidar sozinha.

3. O sono como indicador de regulação autonómica

A melhoria do sono — mais profundo, sem interrupções, sem micro-despertares — não foi um efeito secundário, mas sim um sinal de restauro do equilíbrio parassimpático. Em contexto de dor crónica, o sistema nervoso tende a manter-se em alerta mesmo durante a noite. A normalização do sono reflecte a descida dessa hipervigilância e é, em si mesma, terapêutica: o sono profundo é anti-inflamatório, reparador tecidular e regulador hormonal.

4. A evolução foi gradual, não mágica

Não houve melhoria imediata. A paciente manteve formigueiro nas mãos até à 3.ª sessão, teve uma dor ligeira na omoplata após a 4.ª sessão, e o sono levou duas semanas a estabilizar completamente. A cura foi progressiva, com oscilações — como é característico de processos de reorganização profunda do sistema nervoso. Esta progressão gradual é mais sustentável do que alívios abruptos que depois não se mantêm.

5. A terapia complementa

A paciente manteve toda a medicação (biológico, metotrexato, ácido fólico) e mantém seguimento médico regular. A terapia sacro-craniana não “curou” a Espondilite Anquilosante — reduziu a carga sintomática, melhorou a qualidade de vida, diminuiu a dependência de terapias manuais mensais e devolveu autonomia. 

Privacidade e transparência

Este é um caso clínico real, acompanhado no âmbito da formação em Terapia Sacro-Craniana (TESED). Os dados foram recolhidos com consentimento informado da paciente. Todos os elementos identificativos foram removidos para proteger a privacidade. As escalas de dor, frequências de sintomas e evolução sessão a sessão correspondem ao registo clínico original. A paciente autorizou a partilha do seu testemunho e feedback final.

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