A nova energia

  • 15 Março, 2019

– Desde que falo contigo mais assiduamente que me sinto mais ansioso e bastante nervoso. Não me sinto bem…!

– Isso tem alguma coisa a ver com o facto de teres de decidir?

– Sim, mas o facto de escolher ser um ser humano está a deixar-me intranquilo…!

– Estás a dizer-me que escolheste ser um ser humano em vez de abraçares a ideia de elevares a tua consciência?

– Sim, estou a dizer exactamente isso. Eu não quero ser um ser de vibração elevada. Quero ser um ser humano. Apesar de tudo e de todos os problemas que essa forma tem, foi ela que nos trouxe até aqui. Não pode ser mau. Por isso quero continuar a evoluir nesse sentido e acredito que todos juntos vamos conseguir. Pode até demorar muitos anos mas vamos conseguir. Não irei, possivelmente, vê-lo nesta vida mas vou dar o meu contributo para que isso possa acontecer, e quem sabe se numa próxima vida isso será possível!

– Aprecio bastante o teu ponto de vista e até o aceito. E mais importante ainda, defendo o direito de o manteres. Só não tenho a certeza se tens consciência das implicações inerentes.

– Sim, tenho consciência!

– Consegues então explicar-me o que pensas que vai acontecer na tua vida?

– Vou caminhar nessa direcção de ser um ser humano, ajudar os outros, dar-lhes carinho e conforto, ajudá-los a enfrentarem a vida! Vou cuidar dos pobres, quero ajudar a diminuir as diferenças entre ricos e pobres. Quero voluntariar-me para acções de beneficência, arranjar comida para quem tem fome. É isso que eu quero fazer. Claro, vou trabalhar para ganhar meios financeiros, para que eu e a minha família estejamos bem e eu lhes possa dar aquilo que eles precisam.

– Tens uma ideia bem clara do que é ser um ser humano, só faltava dizer que aos domingos irias à missa para excomungar os teus pecados, ou então de uma forma mais moderna fazias meditação e praticavas yoga para te sintonizares contigo próprio…

– Agora não consegui perceber. Parece que estás contra tudo! O que é que isso tudo tem de mal?

– Não estou contra tudo e não tem nada de mal. Apenas observei que tinhas uma visão bem clara do que é um ser humano actual e que para o quadro estar completo só faltava mesmo acrescentares a perspectiva espiritual do momento.

– Estou a ficar pela primeira vez irritado contigo. Parece que vês o futuro muito negro e não confias que o caminho que temos vindo a seguir seja o mais adequado!

– Sabes, eu sou bem prático naquilo que faço. Observo bastante e depois de observar tiro conclusões e defino claramente a minha direcção. Ser um ser humano tal como o descreveste é exactamente aquilo que temos de mudar. Se essas formas de actuar fossem eficazes já teríamos garantidamente atingido resultados bem diferentes?

O que acontece é que cada vez temos mais pessoas a fazerem o que tu disseste, mas ao contrário do que seria de esperar, cada vez existem mais pobres, cada vez há mais poluição, cada vez mais se destrói o planeta e até parece que aliviamos a nossa consciência quando plantamos uma árvore…

 Se isso te deixa tranquilo, está bem para mim e espero que o esteja para ti, mas não me impeças de dizer o que penso.

– Estou a ver muita negatividade no teu discurso…

– Essa forma de diálogo é exactamente a mesma que todos usam quando se diz alguma coisa que não querem ouvir. Não estou de modo nenhum a ser negativo. Estou apenas a mostrar que, se queremos mudar alguma coisa, temos de fazer coisas diferentes do que estivemos e estamos a fazer, para obtermos resultados diferentes e mais satisfatórios com aquilo que queremos. E isso sim é bem positivo. Mas se queremos continuar a fazer o que temos andado a fazer e obter os mesmos resultados, estaremos a perdurar no tempo essa negatividade.

O que propões é estagnação, continuar a fazer exactamente o mesmo. O que eu proponho é que mudemos a forma de actuar para obter melhores resultados e acima de tudo mais saudáveis e congruentes com aquilo que somos. E nós somos seres de vibração elevada, mas para isso temos de permitir que isso aconteça.

– Agora não percebi. Como é que eu permito que isso aconteça?

– É bem simples. Quando decidiste ser um ser humano bloqueaste exactamente isso. Decidiste manter-te naquilo que já conheces e não permitiste receber a dádiva da nova energia que habita o planeta. Repara que em tudo o que disseste não houve sequer uma palavra para dizeres que irias tratar e cuidar de ti. Não houve sequer o cuidado de te mencionares. Todas as tuas acções eram para os outros.

– Sim, claro. Eu não sou egoísta.

– Já falámos antes sobre o que poderá significar ser ou não egoísta. Pois deixa-me dizer apenas que ao não cuidares de ti estás a ser bem egoísta. A pessoa mais importante do mundo para ti, és tu. Ao não aceitares isso, estás a ser egoísta em relação a ti e aos outros. Se tu estiveres bem és capaz de tratar dos outros, senão são os outros que têm de tratar de ti. É claro que é mais confortável, mas estás a ser egoísta porque estás a pensar só em ti. Ou pensas que consegues fazer tudo aquilo que te propões fazer como ser humano se não estiveres bem?

Digo-te que apenas estás a aliviar a tua consciência, para poderes dizer que tentaste mas não conseguiste. Porque tu também adoeceste e precisas de ajuda, esperas egoisticamente que os outros agora te ajudem porque tu também ajudaste os outros, ou seja, não ajudaste de forma totalmente desinteressada. Tinhas o objectivo de ajudar porque esperavas uma retribuição e isso sim, é egoísmo. Começa a centrar-te em ti, e se o conseguires fazer e estiveres bem contigo próprio, consegues e podes ajudar os outros.

– Continuo a achar muito difícil agir dessa forma. Há uns tempos que me esforço por aprender a agir diferente mas…

– Sim, trata de ti, cuida de ti. Faz exercícios que sejam saudáveis para ti, come de forma adequada ao teu ser. Vive de forma saudável para ti. Dá o exemplo. Ainda não sabes como? Procura, constrói um estilo de vida que esteja em sintonia contigo. Tu és o que comes, o que pensas e como te movimentas. Podes no início seguir indicações de outros que já fizeram esse caminho, mas pensa pela tua cabeça. Não sigas aquilo que te dizem só porque funcionou para eles, experimenta e vê aquilo que resulta contigo. Não te convenças com resultados de curto prazo. Tenta perceber no longo prazo qual o impacto que isso tem para ti. Entende que aquilo que fazes para ti afecta todos os outros. Segue a única regra pela qual o mundo todo se regula: O livre arbítrio. E respeita o livre arbítrio dos outros, respeitando e não ultrapassando os seus limites. Cada um de nós deve fazer a sua escolha e respeitar as escolhas dos outros.

– Mas não consigo perceber, como é que essa forma de viver vai mudar o mundo?

– Se estiveres bem então podes tratar dos outros e levá-los a estar bem. Vais dar sem esperar nada em troca. Não vais ter pena das pessoas. Vais dar o teu braço para ajudar as pessoas mas elas vão ter de o agarrar. Vais ensiná-las a ser líderes de si próprias. E quando todos forem capazes de o fazer, então o planeta terá uma consciência diferente da realidade.

– Mas achas que sozinho consigo mudar o planeta?

– Não, eu já te disse várias vezes que sozinho não conseguirás mudar o planeta. Mas também, ninguém está a pedir que mudes o planeta, só te estou a sugerir que mudes a tua forma de viver, se não começares, nada vai acontecer. E se houver muitas pessoas a fazer o mesmo talvez se consiga mudar alguma coisa. Começa por mudar-te a ti próprio, depois pelo teu exemplo muda as pessoas que estão à tua volta. Se fores bem-sucedido, talvez consigas libertar uma onda de mudança e influenciar ainda mais pessoas.

– Então em vez de ajudar os outros eu tenho primeiro de ajudar-me. Isso não é egoísmo? E quem vai ajudar as pessoas que precisam?

– Recordas-te da conversa em que te falei das regras de segurança num avião, ou quando é necessário socorrer alguém?

Tudo o que fazemos actualmente no planeta é bem diferente…disso. Quem já tem tudo continua a acumular como se mais ninguém existisse no mundo. Para além de respirar pela sua máscara de oxigénio, ainda guarda as outras todas com medo que a sua falhe. Repara no egoísmo, como forma de mostrar a sua capacidade de benevolência, permite que alguém mais necessitado respire pelas máscaras. E todos nós assistimos a isto, impávidos, serenos e agradecidos por alguém partilhar connosco as suas máscaras, e nem nos apercebemos que as máscaras eram nossas.

Por outro lado, existem outros que, pelo facto de nós termos uma máscara, acham que podem respirar pela nossa e nem fazem o mínimo esforço para respirarem pela deles… e somos nós que lhes colocamos a nossa para eles respirarem.

Mas se queres continuar a fazer o mesmo que sempre fizeste, a ver isto a acontecer e a agires de modo a manter todas essas situações, óptimo, mas é importante que tenhas consciência do que estás a fazer!

– Isso é uma perspectiva estranha da realidade…

– Não é estranho, é apenas observação. Observa e verás que não estou longe do que realmente acontece. E nota que com isto não estou a dizer que não existam pessoas que, por existirem deficit de máscaras, não precisam realmente da tua mascara para respirar… Agora, se queres realmente aproveitar a nova energia que está disponível no planeta, começa a agir de modo diferente e cuida primeiro de ti, para poderes depois ajudar os outros.

– Ultimamente as tuas conversas deixam-me sensações estranhas e de certa forma fico confuso com os conceitos. Vou ter de pensar sobre o que me tens vindo a dizer, e acima de tudo acerca do que é ser um ser humano, sobre a dualidade e sobre a nova energia…

– Já vi que estás a levar o assunto a sério.

– Sim, eu levo bem a sério tudo aquilo que me dizes!

– E deves, mas diverte-te! Diz lá em qual dos assuntos estás confuso?

– Para dizer a verdade tudo o que me tens dito ultimamente, mas aquilo que eu nem consigo entender nem percepcionar é quando tu falas da nova energia. O que é que queres dizer com isso?

– A rede magnética do planeta mudou. Neste momento estão disponíveis no planeta tipos de energia a que antes não tínhamos acesso.

– Mas Mestre, eu não as consigo percepcionar…

– Sim, é normal. Tens de permitir percepcionares, tens de estar disposto a sentir essa nova energia. Aqui começa a confusão. O conceito de sentir que conheces implica que tenhas sensações e sentir, neste caso, é diferente disso… Aliás, o facto de teres algumas sensações que não te permitam sentir, é indicativo que ainda estás a vibrar na velha energia e não abraçaste a nova.

– Continuo a não perceber. Como é que eu posso sentir essa nova energia?

– Existem pessoas no planeta que te podem ensinar. Eu posso ensinar-te. Mas nem é necessário alguém ensinar-te, tu consegues fazê-lo se te permitires. Claro que fica mais fácil se alguém te guiar no processo…

– E se eu abraçar essa nova energia de que falas quais são as consequências para mim?

– Iniciares um caminho que te levará a vibrar como um ser de vibração elevada.

– Boa… ora aí está um conceito que ainda não entendi completamente… o que é que isso realmente significa?

– Um ser de vibração elevada é, um ser que tem disponível neste plano energético a vibração máxima, possível para o planeta Terra, de quem ele realmente é, ou seja, dá permissão a que a sua alma esteja em “contacto directo” com o corpo. Entende que a mente é apenas um meio de expressar aquilo que ele pretende neste planeta e por isso tem de ser reorganizada para que a alma se possa juntar ao corpo. É um processo que não é fácil. Já te falei dele quando me questionaste sobre a ascensão. Mas agora repara nesta perspectiva: é isso que acontece sempre que morres, deixas esta plataforma energética e permites que a tua alma faça o processo de ascensão. Esse processo é a desmaterialização da informação que a tua mente acumulou, para que a tua alma possa ascender “limpa” mas levando na bagagem todas as experiencias que foram relevantes para ela. Todo esse processo tem como objectivo elevar a sua vibração. Quando morres é um processo mais fácil e rápido porque deixaste o corpo para trás e a tua alma só tem de se sintonizar com ela própria.

– Mas ainda tenho dúvidas… o que é que isso significa para mim que estou na Terra? Eu já disse que não quero morrer!

– E não vais morrer. Apenas vais fazer o processo. Isso está agora disponível no planeta. Poderes receber a vibração de quem tu és ainda em vida nesta plataforma energética. É isso que a nova energia permite, seres quem tu realmente és, agora, aqui no planeta, durante esta vida. E esse processo, deves entendê-lo como um caminho e um processo evolutivo. Ao mesmo tempo que a mente vai sendo melhorada, ao mesmo tempo que ela se vai reorganizando para formas mais eficazes de funcionamento e de consumo energético mais baixo, a tua alma vai-se aproximando de ti, permitindo que sintas a sua presença e a sua informação. Todo este processo, digo-te logo à partida, não é fácil e precisas de decidir estar disposto a percorrê-lo, mas é deveras interessante explorar todas as potencialidades que nem sabes que tens.

– Mas qual o objectivo de podermos fazer a elevação da vibração de quem somos, nesta vida e nesta era? E qual a necessidade de o fazer? Especialmente quando o planeta e o ser humano estão a entrar num processo do qual parece difícil sair.

– Exactamente por isso é que agora é a altura certa! Sabes, é como um ponto de não retorno. Ou evoluímos e atingimos níveis nunca antes atingidos, ou retornamos a uma vida que ainda pode ser pior do que aquilo que temos neste momento. Mas é apenas uma decisão do que realmente queremos.

– Uma decisão do que realmente queremos… Tu já referiste isso vezes sem conta e não consigo entender porque é que insistes nela!

– É vital que a decisão ocorra. Os seres vivos deste planeta têm, acima de tudo, livre arbítrio e é da aceitação desse livre arbítrio que está dependente a vida na Terra. Ou aceitamos que de facto podemos decidir sobre as nossas vidas ou acreditamos que as nossas vidas são comandadas por outros e pelo acaso. Essa é a decisão. Ou aceitamos a segurança e a ordem ou aceitamos o caos. Por incrível que possa parecer, a segurança e a ordem só podem ser obtidas quando o livre arbítrio é aplicado na sua verdadeira essência.

– Agora deixaste-me bem baralhado. Se o livre arbítrio for aplicado na sua vertente mais pura será o caos! Ninguém vai conseguir viver neste planeta!

– Pelo contrário. Se o livre arbítrio for aplicado na sua verdadeira essência, significa que existem limites que eu não vou poder ultrapassar porque estou a interferir com o livre arbítrio de outros seres. Se queres um exemplo claro, pensa nisto, achas que podemos destruir a floresta do Amazonas, interferindo com a vida dos seres que lá habitam, sejam humanos ou outros quaisquer? Se o fizermos não estaremos a respeitar o livre arbítrio desses seres. Se vivermos em livre arbítrio teremos de procurar outras soluções mais adequadas e respeitadoras do todo, ao contrário do que fazemos actualmente em que deixamos que a decisão seja em função do enriquecimento e bem-estar de alguns. Se o livre arbítrio for usado, toda a educação que damos aos nossos filhos terá de ser modificada, tal como os currículos escolares. Deixarei de fazer actividades que têm como único objectivo darem-me dinheiro para viver, passando a fazê-las porque me fazem feliz e disponibilizo essa felicidade para os outros. O mundo deixará de estar organizado com base no dinheiro para estar organizado com base na felicidade.

– Mestre, isso é um pouco utópico. Não achas que estás a sonhar?

– Se eu olhar para o mundo actual, sim é bem utópico. Mas se começarmos a mudar o que pensamos sobre ele, se começarmos a agir de acordo com isto, o que hoje parece impossível, amanhã quem sabe? Se nunca começarmos nunca iremos saber.

Vamos começar por elevar a consciência das pessoas, explicar-lhes e mostrar-lhes como o mundo na realidade funciona e quem sabe se aquilo que é hoje impossível não será amanhã um sonho… e depois de amanhã ficção… e no final da semana a realidade. Quem sabe?

– Começo a entender o teu ponto de vista. O que estás a dizer-me é que eu devo começar a fazer o meu trabalho de casa, deixar de culpar o sistema por tudo e por nada, e por todas as coisas que correm mal.

O que estás a dizer é que o sistema somos todos nós e cabe a cada um de nós fazer a diferença. Se todos fizerem a diferença, e se o que fizerem for no mesmo sentido, então o que hoje nos parece impossível, amanhã será real.

– Sim, é mesmo isso! Apenas gostava que acrescentasses que esse caminho se faz quando todos entenderem que a única regra que se impõe é o livre arbítrio e que ele acaba quando começa o livre arbítrio do outro. Devemos comportar-nos como crianças de alta responsabilidade, perceber que aquilo que fazemos tem impacto no todo. Divertir-nos acima de tudo. Entendermos que tudo aquilo que fazemos, fazemo-lo por nós próprios, mas o que fizermos deverá contribuir para o todo. Percebermos que o mundo se regula pela abundância e não pela escassez. Situações que levam a desigualdades porque alguém acumula riquezas, ou situações em que uns pensam que têm pouco e por isso têm de pedir, devem ser banidas. Todos deverão contribuir e não é necessário “guardar para amanhã” porque isso estará naturalmente assegurado.

– Mas como pensas mostrar que isso é possível?

– Mostrando como todo o universo funciona, qual a linguagem que é usada e acima de tudo demonstrando a evolução que acontece quando nos regulamos por este princípio básico: Livre Arbítrio. O que pode significar para as nossas vidas e para a vida do planeta quando levamos esse princípio à sua forma mais pura. Percebermos que o que fazemos aos outros estamos a fazer a nós próprios e o que fazemos a nós próprios estamos a fazer aos outros. Aprendermos a fazer exercícios físicos adequados para cada um de nós. Aprendermos a alimentarmo-nos adequadamente e de forma personalizada. Usar terapias que sigam esse critério e busquem o equilíbrio do ser como um todo, estimulando o processo de auto cura. Percebermos que a pessoa mais importante do mundo somos nós próprios. Centrarmo-nos em nós. Cuidarmos de nós. Quando formos capazes de fazer isso individualmente, estaremos a caminhar a passos largos para que o sistema comece a usar a mesma regra. E não é necessário que isso aconteça em sequência. Se começarmos, o sistema vai também progressivamente mudar.

– Continuo muito longe de ver isso a acontecer e nem sei por onde começar…

– Começa por ti próprio, essencialmente pensa por ti próprio, e o que fizeres fá-lo por ti e para ti. Começa por olhar para ti e identificar tudo aquilo que fazes que te mostra que não estás a cuidar de ti e que não te considera a pessoa mais importante do mundo. Identificas assim todos os pontos mais débeis. A partir daí já tens uma base de trabalho.

   Aprende a trabalhar com a nova energia e com a sua linguagem. Muda o teu estilo de vida de acordo com isso. Não faças aquilo que os outros te dizem para fazer. Vive, aprende e adapta o que aprenderes, a ti. Aprende com alguém que se regule e que viva por esse princípio, e que aquilo que faça seja congruente.

– Começo agora a entender o que estás a dizer!

– Óptimo! Estes tempos vão obrigar a uma decisão. Queres continuar a fazer o que fazes hoje ou queres evoluir para uma forma de vida em que és tu que mandas e decides a tua vida?

   Para que possas decidir livremente tens de experienciar os dois modos de vida. Um deles já conheces mas o outro não sabes como ele é e por isso não consegues decidir. A única forma é permitires-te aprender e depois começares a viver desse modo. Só assim poderás decidir qual a escolha adequada para ti. Sabes que não há certos ou errados. Existe apenas uma decisão e assumir a escolha sem culpas ou ressentimentos. O que não podemos fazer é querer ter o bom dos dois lados. A não decisão significa estagnar num ponto. Até pode haver muita actividade mas o ciclo apenas se repete voltando ao ponto inicial, e aí ficamos disponíveis para receber aquilo que os dois lados têm de pior. A nova energia disponível no planeta permite ver o outro lado, aquele em que somos donos da nossa vida. Para assim podermos decidir.

– Começo agora a entender o que estiveste a falar até agora. Mas vou ter de digerir tudo o que disseste. Vamos ter de voltar a este assunto. As questões neste momento são muitas mas quero primeiro tentar juntar as pontas para depois as colocar. Gostei muito de estar a conversar contigo sobre estes temas. O que eu mais admiro em ti é a frontalidade com que falas e o modo objectivo e assumido como te expressas.

– Só falo do que sei. Sobre aquilo que não sei dir-te-ei logo que não sei. Não vou inventar uma resposta para que fiques satisfeito. Eu assumo que não sei tudo, nem tenho pretensões a saber tudo, o conhecimento é muito vasto, mas quando falo tenho a certeza do que digo. Quando não tenho a certeza do que vou dizer referencio como sendo apenas a minha opinião.

– Sabes que tanta frontalidade nem sempre é bem-vinda. Sabes que te vão considerar arrogante…

– Sim. Mas aquilo que pensam sobre mim não é muito relevante. Importante é que a minha consciência esteja tranquila, e isso acontece quando digo aquilo que sinto. Sentir é uma das premissas importantes do livre arbítrio.

Dizeres e fazeres o que sentes sem ultrapassares os limites de ninguém, mesmo que isso não seja aquilo que as pessoas querem ouvir. É muito mais fácil caminhar quando dizemos aquilo que as pessoas esperam e querem, abanar crenças é desconfortável para quem é sacudido.

Quando dizemos aquilo que sentimos nem todos vão entender, uns vão estar contra e entrar em conflito, outros vão achar as ideias espectaculares e outros irão ficar totalmente indiferentes. Mas independentemente do resultado, deves continuar a fazer aquilo em que acreditas e aquilo que sentes que está certo.

– Nem sempre entendo o que dizes e nem sempre consigo chegar ao que explicas, mas seja o que for que fazes vê-se que resulta em ti. E independentemente do que falas estar certo ou errado, o teu modo de encarar o mundo é interessante!

– Já vi que vamos ter de conversar muito sobre estes temas, e isso é óptimo porque alguns dos que abordámos são bem complexos e não são de fácil visualização e entendimento. Mas duma coisa podes ter a certeza, eles são bem simples e é apenas a tua mente a ver curvas quando as linhas são direitas. Peço então que penses e me tragas as questões que para ti são mais pertinentes. Estarei aqui à tua espera.

Por: Paulo Pais in “Conversas com o Mestre”