Decisão e consequências

  • 5 Dezembro, 2018

– Processos lentos e processos rápidos. O que significa isso para ti? Estavas a dizer que o processo de ensinar os teus filhos era lento? Ou referias-te a ensinar a tua mente?

– Referia-me à minha mente.

– Sabes, é tudo uma questão de conceito e de relatividade. Aquilo que é lento pode ser bem rápido e aquilo que pode ser bem rápido pode muito bem ser lentíssimo…

– Não vamos voltar a falar de Einstein e da sua Teoria da Relatividade, pois não?

– Não, claro que não! Vou falar-te de processos, da sua velocidade relativa e o que isso significa.

Imagina que saltas de uma ponte bem alta para o rio. Achas que vais entrar rapidamente dentro de água? E se saltasses da margem do rio, qual seria mais rápido?

– Não entendo o que estás a dizer… Onde queres chegar?

– A lado nenhum, apenas quero que penses. Se eu começar a contar o tempo desde que dou o salto, qual demoraria menos tempo a entrar totalmente dentro de água?

– Isso parece-me óbvio, seria aquele que salta da margem. Ele está mais perto, por isso demoraria menos tempo.

– E se descontarmos o tempo da descida e só contássemos o tempo a partir do momento que tocarmos na água, qual das hipóteses me faz entrar mais rápido no rio?

– Penso que a diferença seria mínima.

– Sabes que mesmo nessa situação e dependendo da altura a que se saltou, quem salta de mais alto leva mais tempo a entrar totalmente na água. E quem teria a percepção de que tinha entrado mais rápido dentro de água?

– Quem se atirou da ponte.

– E quem sofreu o maior impacto com o salto?

– Quem saltou da ponte.

– Saltar da ponte ou saltar da margem não tem que ser uma questão de certo ou errado, ambos vão entrar dentro de água. A questão é, como decides entrar dentro de água? Uma vez decidido que vais entrar na água, deves fazê-lo da forma que for mais adequada para ti, não da forma que percepcionas que é a mais rápida. É importante considerares isso! Lembra-te, o certo e o errado é relativo, tal como o tempo. Mas seja qual for a tua decisão, tem consequências. Deves aceitá-las e assumires a responsabilidade por elas, sem culpas, ressentimentos ou arrependimentos. Tudo é como tem de ser.

Por: Paulo Pais in “Conversas com o Mestre”