Dualidade

  • 15 Março, 2019

– Na última conversa que tive contigo foste para um tema que eu não estava à espera e no qual nunca tinha pensado. Até parece que ser humano é mau!

– Não existe esse julgamento. Não é bom nem é mau. É aquilo que é. O importante é termos consciência disso e decidirmos se queremos de facto manter essa forma ou se queremos elevar a nossa vibração energética.

– Mas Mestre, seres de vibração elevada? Isso quase parece um filme de ficção científica…

– Não é ficção. É real e bem real.

– Mas eu não consigo ver isso.

– Claro que não consegues. Ainda és um ser humano e como tal vês como um ser humano. Tal como escrevia José Saramago em “A maior flor do mundo”: «E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para todos os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?»

– Agora não entendo mais nada!

– Ainda bem, porque é isso mesmo. A tua mente não consegue perceber, por isso, pensas que não entendes. São conceitos estranhos para ela. Tu ensinaste-a a ser um ser humano e ela só reconhece isso. Fica com medo, dúvidas, receios porque não sabe qual a direcção. Porque existem partes dentro dela que vão ter de morrer, outras vão ter de se transformar e na realidade todo o teu ser tem de ser reorganizado.

Mas se deixares de ser comandado pela tua mente, deres permissão a que a tua alma comunique contigo e começares a seguir o que ela te diz, fica fácil chegar lá.

– Mas eu não consigo distinguir os pensamentos originados na minha mente e os que vem da minha alma!

– A mente é mais lenta do que a alma. O primeiro pensamento que te chega sobre um determinado assunto vem da tua alma. E repara, por vezes até parece bem descabido, mas é o correcto.

O que tens de fazer é dizer à tua mente que queres que aquilo aconteça. Ela vai reclamar, vai dizer que existem muitos problemas, vai dizer que não vais conseguir, vai-te mostrar todos os riscos e perigos, mas tu ficas sereno e dizes: “Óptimo, e se parasses de me mostrar os problemas e começasses a trabalhar nas soluções? Esse comportamento não é útil e tu não estás aqui comigo para isso. Tu estás aqui comigo para me mostrares soluções e para que eu possa chegar onde eu quero.”

– Mas isso significa que eu tenho de a ensinar a trabalhar de outra forma!

– Exacto. E essa é a função do consciente, ensinar a mente para criar os automatismos necessários. Para que tudo aquilo que tiver de ser feito, seja feito de uma forma elegante.

– Compreendo. Como quando eu decidi andar de bicicleta e tive de aprender a fazê-lo…

– Sim, o processo é sempre o mesmo.

– Agora está mais claro!

– Quando decidiste andar de bicicleta não tiveste dúvidas, nem outra coisa qualquer que te bloqueasse. Estavas nervoso talvez, mas seguiste em frente. Não colocaste uma perna na bicicleta e a outra numa cama. Decidiste e foste em frente. Isso é o que é necessário, decidir e seguir nessa direcção. Zonas cinzentas só te vão prender. Não existe nada de errado se não quiseres andar de bicicleta. É apenas uma decisão. Mas agora tens de decidir, chegou o momento. Ou ficas naquilo que conheces e manténs o comportamento de um ser humano tradicional, ou abraças o caminho para elevares a tua consciência. O que estás a fazer neste momento é não permitir que a tua essência se manifeste.

– Não tenho bem a certeza do que me estás a dizer…

– E eu respondo que sabes muito bem do que estou a falar. E de uma vez por todas decide, levanta-te, ergue-te e caminha. Acredita, não vais estar sozinho. ACREDITA.

– Cada vez percebo menos. Isto agora é uma questão de fé?

– Não, claro que não. Mas também é. Vais ter de caminhar numa direcção em que não sabes o que vai acontecer. Vais ter de sair daquilo que é habitual. Vais ter de abandonar a tua zona de conforto. Vais ter de deixar esse estilo de vida que te traz doenças, umas atrás das outras, ou pensas que a gripe ou outros sintomas ainda mais simples são coisas inocentes? Não, eles apenas reflectem aquilo que és actualmente. E se achas que és bem mais do que aquilo que manifestas, então só existe um caminho, muda e torna-te um ser que vive na luz, em vez de na ausência de luz. Torna-te consciente, em vez de viveres a vida de forma inconsciente. E não entendas isto como positivo ou negativo. É apenas uma decisão e é onde decides viver. Deves decidir de acordo com aquilo que sentes que é o teu caminho. Mas não te iludas com caminhos fáceis numa direcção e difíceis noutra. Seja qual for a situação, enfrenta-a.

– Mestre, tudo o que me estás a falar agora está a fazer-me uma grande confusão…!

– Óptimo, se ficares confuso, poderás então questionar onde estás e o que estás a fazer e terás a possibilidade de iniciar o caminho que é mais adequado para ti. Mas se o que acabei de dizer não faz qualquer sentido para ti e te vais manter exactamente como até agora, então começa a preocupar-te. A energia do planeta está a mudar e cabe-te decidir se queres abraçar essa nova energia ou se queres manter aquela a que estás habituado.

– Mestre, estou cada vez mais assustado e baralhado…

– Não te assustes tudo de uma vez, deixa-me terminar o que quero dizer.

O nível de consciência do planeta é bastante baixo e, ao decidires manter-te no nível de energia antigo, apenas estás a manter o nível de consciência do planeta nesse nível. As consequências da decisão que estás a tomar são simples. Vão continuar a existir pessoas que em vez de estarem a fazer aquilo de que gostam, estão a fazer aquilo que lhes dá mais dinheiro, mesmo que isso lhes cause uma infelicidade enorme. Vai continuar a existir riqueza mal distribuída, guerras e alguém a lucrar com elas. Vamos continuar a ver a Terra com dificuldades em respirar, quase a sufocar com a poluição e com o pouco respeito que temos por ela.

Se é isso que pretendes, se é isso que te faz sentir bem, se não queres enfrentar a realidade apenas porque ela te é desconfortável e te obrigaria a fazer qualquer coisa noutro sentido…óptimo, não tem problema, é apenas uma decisão. Não existe certos e errados. És tu que escolhes onde vais viver e que herança deixarás para as gerações futuras. O que te estou a sugerir não é que mudes o mundo, pois isso é uma tarefa que ninguém conseguiria, seria um peso demasiado pesado e vocacionado ao insucesso. O que te proponho é uma coisa mais simples, muda a tua forma de pensar e começa a viver de forma congruente com essa mudança.

– Estás a falar de decisões, de nova energia. Cada vez percebo menos…

– Vamos falar mais vezes sobre isso, mas começa a pensar que continuares como até aqui, não é mais possível. Viveres numa zona cinzenta vai ter de acabar. Tens dois caminhos à frente e não sabes o que significa um e o que significa o outro. Tens de decidir de acordo com o que sentes. Não sabes o que está por detrás da tua decisão, mas vais ter de decidir. Continuar confortavelmente no limbo não vai ser possível.

SENTE, ESCOLHE O TEU CAMINHO, ACREDITA

Por: Paulo Pais in “Conversas com o Mestre”