Era do Marketing VS Era da Informação – Parte 2 – A preparação para a Gravidez

  • 22 Janeiro, 2018

Maria e António tentavam há cinco anos serem pais sem qualquer sucesso. Maria tinha passado por todo o protocolo de análises e tratamentos hormonais. O cansaço emocional era visível e já se começava a reflectir fisicamente. Casaram quando Maria tinha 21 anos e depois dos primeiros 4 anos a tentarem ter filhos, perceberam que devia existir algo errado. Todos os casais amigos da sua idade tinham crianças, mas eles não e isso começava a tornar-se insuportável. À medida que o tempo passava as crises de choro de Maria desencadeavam momentos de tristeza cada vez mais intensos e duradouros, até que resolveram perceber o que havia de errado. Apesar dos seus 30 anos, Maria aparentava pouca frescura e quando se olhava ao espelho sentia esse cansaço no seu rosto, como se o espelho a estivesse a castigar, reflectindo uma mulher com pelo menos mais dez anos do que ela.

No momento em que estamos a ler estes acontecimentos de vida quotidiana, milhões de casais estão a passar pela aventura de serem pais. Gerar uma nova vida é uma necessidade que, mais tarde ou mais cedo, surge no percurso da existência de qualquer ser humano. Por ser algo natural e comum nas nossas vidas, desprezamos a importância que todo o processo de trazer um ser humano ao planeta e educá-lo tem, tanto para esse ser, como para a mãe, para o pai, para a família, para a sociedade em geral e para o futuro do planeta. É apenas um ser humano e no meio de tantos biliões não terá assim tanta importância, pensarão alguns, mas na verdade tem muito mais relevância do que poderíamos imaginar. Se tivermos em mente que o objectivo é deixar uma melhor descendência para o planeta, ao trazermos ao mundo seres mais equilibrados física e emocionalmente, e ao ensiná-los de forma transparente as leis do respeito mútuo, estaremos a dar a nossa contribuição para a paz, harmonia e abundância no planeta.

Independentemente da fase da vida em que nos encontrarmos, podemos sempre contribuir, e neste caso especifico o nosso foco vai para os casais que estejam a planear ter filhos, devendo este processo iniciar pelo menos seis meses antes da concepção. O objectivo é darmos as condições físicas e emocionais para que o casal passe pela gestação de forma tranquila, dar a consciência necessária e providenciar as mudanças de estilo de vida requeridas, para que possam educar e ensinar os seus filhos contribuindo para um lar feliz e harmonioso. Infelizmente acabamos, a maior parte das vezes e sem nos apercebermos que o fazemos, por copiar aquilo que os nossos pais fizeram connosco e a irremediavelmente repetir os erros das gerações anteriores.

Um agricultor sabe que para obter colheitas generosas tem de dar as condições e o tempo para que as sementes germinem saudáveis e abundantes. Preparar o terreno e nutri-lo, ter a calma necessária para amanhar a terra, acima de tudo saber esperar e, agir no momento que os sinais ambientais à sua volta o aconselham. O maior foco deste processo centra-se na mulher, mas o papel do homem é semelhante ao papel do agricultor, é ele que deverá nutrir e dar as condições necessárias para que a mulher passe de forma tranquila por todo esse tempo, que abrange várias fases e que só terminará quando a criança tiver cerca de 7 anos de idade. Os anos seguintes são importantes, mas aqueles em que a mãe tem o maior impacto são desde a concepção até essa idade. O papel do homem no processo não passa apenas por contribuir com a semente, mas em aprender a ser agricultor.

Durante a gravidez o corpo da mulher vai ser colocado à prova. É algo que é exigente. Ao engravidar terá de disponibilizar tudo o que é necessário para que o feto se desenvolva nas melhores condições possíveis. Por ser essa é a prioridade natural, sendo a energia disponível muito grande, não consegue assim percepcionar o desgaste a que está a ser sujeita, entrando muitas vezes em colapso depois do parto. A fase de preparação para a gravidez tem como objectivo carregar baterias e preparar todo o corpo da mulher para as transformações emocionais e físicas inerentes à gravidez, bem como, obter uma recuperação pós-parto mais célere e harmoniosa. O sucesso de iniciar uma gravidez depende em grande parte das condições que o corpo da mulher oferece para esse processo: a quantidade de gordura estrutural, o nível de acidez do corpo e especificamente da área vaginal (que de certa forma reflecte o estado de acidez do corpo), a tranquilidade da mulher quanto ao processo, a disponibilidade para ser mãe aceitando todas as consequências inerentes, o estado da sua coluna vertebral, se os ovários têm acesso aos nutrientes necessários para gerar um embrião, se o útero está estruturalmente bem desenvolvido, estas e outras variáveis que não estamos a descrever para não tornar o texto demasiado exaustivo. Todo o processo é de uma complexidade razoável que pelo facto da vida assegurar-se ela própria de obter aquilo que precisa, nunca pensamos muito nas nossas necessidades efectivas e quando as coisas correm mal ou não correm como esperamos, damos oportunidade a que a ansiedade se instale e aquilo que deveria ser um estado de graça, passa a ser um inferno.

Para a mulher é essencial regularizar a sua alimentação, tendo em conta a sua saúde e a disponibilização de nutrientes para a existência de um ser dentro de si. Preparar o seu corpo para as mudanças, agilizar e flexibilizar a sua estrutura através de exercícios físicos, movimentos e posições posturais, tratar o corpo através da reflexologia e dos pontos reflexos no corpo de modo a que os órgãos principais sejam assim estimulados, desintoxicados e equilibrados no seu todo, tratar a coluna vertebral e especificamente harmonizar e flexibilizar a ligação entre esta, o sacro e os ilíacos, usando os reflexos da coluna no corpo para esse efeito e as ligações neuro-viscerais reflexas. Trazer através do trabalho emocional a maturidade e o crescimento necessário para enfrentar esta etapa da sua vida, permitindo assim o desenvolvimento harmonioso e equilibrado do ser que há-de vir. Quanto ao pai precisa acima de tudo de estar presente e acompanhar a mulher dando-lhe as condições necessárias para se manter calma e tranquila, regularizar a sua alimentação para formas mais saudáveis e adequadas a si será necessário, pois a semente é sua, bem como, adquirir nesta fase a maturidade necessária e interiorizar as suas responsabilidades como companheiro e futuro pai.

Uma boa preparação muitas vezes faz a diferença entre o sucesso e o caos. Estar preparado para lidar com as várias situações que se apresentam, e ter as condições físicas e emocionais para enfrentar os respectivos desafios, pode transformar um calvário num paraíso. Temos pela primeira vez a oportunidade de iniciarmos um movimento de mudança e deixarmos de ser pais inconscientes, para nos transformarmos em seres geradores de vida criativa e harmoniosa, de paz e respeito mútuo e acima de tudo, construirmos um planeta que transpire abundância e felicidade.

Por: Paulo Pais