No limite, mudar é a única opção

  • 4 Fevereiro, 2017

Muitas vezes no desespero da vida chegamos a um ponto que parece não ter retorno e como por milagre tomamos consciência de algo que até então estava escondido: “COMO VOU FAZER PARA CONSEGUIR VIVER COM ESTA PESSOA (EU) PARA O RESTO DA MINHA VIDA?”

A verdade é que chegamos a um ponto de desespero tão grande que a simples voz dentro da nossa cabeça se torna desprezível. Chegamos até a equacionar acabar de vez com a “coisa” e questionamos, sem encontrar resposta, o sentido da vida. Mas não estaremos já mortos? A diferença parece-nos mínima.

Tentar responder àquela questão, faz-nos entender e tomar consciência que, ou mudamos, ou mudamos, pois continuar daquela forma não é mais possível. Chegamos ao ponto de não retorno e só com uma via: mudar. Mas como fazer essa mudança?

A verdade é: quantos de nós já se depararam com este estado de alma? Quantos passamos repetidamente pelas mesmas situações dolorosas sem conseguir sair desse ciclo vicioso interminável?

Se nunca se sentiu deprimido, de certeza que conhece alguém que sim. A depressão, uma palavra da moda, é uma forma bastante assertiva para descrever um estado de alma, que muitas vezes não sabemos definir de outra forma. Quando a nossa Alma se afasta, é como se ela estivesse a desligar-se de nós, trazendo-nos desalento, falta de energia, desmotivação, e outros estados afins.

A primeira vez que ouvi isto achei absurdo, porque sempre pensei que alma era o que nos fazia falar, ter emoções e que nos definia a personalidade. Talvez muitos de vós pensem como eu pensava. Mas a resposta que ouvi na altura foi surpreendente para mim. E se a Alma for quem tu és de verdade e não quem tu pensas que és? Se neste exacto momento da tua vida fores exatamente como queres ser, então não existe nada na tua vida que precises mudar, porque quando somos quem somos, tudo está bem. Então se estás a viver uma vida em que tu és uma coisa que não és, a tua vida é o reflexo de tudo aquilo que estás a ser agora. Tudo aquilo que gostarias mudar, é o que pode aproximar-te mais da tua Alma, de seres quem és de verdade.

Onde procurar a informação do que estou a ser agora? A informação que me faz falar, ter emoções e me define a personalidade neste momento, onde está? A resposta é: na tua mente. A nossa mente é incrível porque nos permite criar tudo. Então porque cria ela uma forma de ser que não é a que verdadeiramente somos?

Precisamos de ver as coisas de uma forma mais simples. Somos Consciente, Corpo, Mente e Alma. Devemos olhar para a mente como aquela que faz as aprendizagens e para a Alma como aquilo que somos, a nossa essência. Estivemos a ensinar a nossa mente e a enchê-la com verdades relativas, verdades incoerentes, verdades que os outros quisessem que fosse verdade, regras sem sentido, mas que acreditámos que eram necessárias, ou seja, fomos construindo a nossa mente tão afastada de quem nós somos, que só resta à nossa Alma colocar-nos numa situação de ponto de não retorno, dando-nos consciência do nosso estado interno. Ensinaram-nos a construir-nos de uma forma diferente do que somos e nós aceitamos por um motivo muito simples e básico: sobrevivência, afastando-nos do propósito maior da vida que é experienciar a felicidade e o amor.

Quantas vezes já começaram uma frase por “Se eu pudesse…”? A verdade é que a única razão para não poderem, é exterior a vocês. E só passa a ser impeditiva a partir do momento em que vocês a aceitam como limitadora. E nesse momento acabaram de ficar um pouco mais distantes da vossa Essência. E todas essas limitações que levamos anos a aceitar e integrar, mais dia, menos dia, acabam por nos definir através delas, até que acabamos por nos confundir com elas e no final já estamos seguros de que somos essas limitações, ficando totalmente convencidos de sermos seres limitados, inseguros e incapazes. É neste estágio extremo de consciência em que nos consideramos limitados e não estamos mais dispostos a viver mais connosco, que temos a possibilidade de aceitarmos a maior aventura das nossas vidas, elevar o nível de consciência.

Tomar consciência do papel da mente, da alma, do nosso corpo e de quem somos como consciente é o primeiro passo para “desensinar” a mente, ao mesmo tempo que, reensinamos formas novas e verdades cada vez mais absolutas e coerentes connosco, aproximando-nos mais da nossa Alma e de quem realmente somos.

Ultrapassar as nossas limitações, ganharmos confiança em nós próprios, conseguirmos ultrapassar as culpas, os ressentimentos, os julgamentos e as expectativas desajustadas é um processo que não é fácil, e é acima de tudo desafiante, levando-nos a amarmo-nos e aceitarmo-nos tal como somos, e especialmente, leva-nos na descoberta do caminho da simplicidade.

Por: Susana Silva e Paulo Pais