Raiz de Kuzu

  • 22 Janeiro, 2020

Originária da China e do Japão, Kuzu ou Kudzu é uma planta trepadeira cientificamente conhecida como Pueraria Lobata. Com origem em zonas vulcânicas e com caules volúveis trepadores, como os da videira, pode crescer vários metros por ano e atingir grandes alturas. Esta vitalidade excepcional valeu-lhe a sua designação em latim, Pueraria, que significa “em ligação com a juventude”, sendo por isso um recurso terapêutico de excelência para a recuperação de vitalidade em casos de convalescença.

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Tem uma raiz enorme, que pode atingir mais de dois metros de profundidade. O kuzu é um amido extraído dessas raízes vulcânicas, apanhadas no inverno, moídas de maneira artesanal, lavadas e secas ao ar, o que leva meses de trabalho. É semelhante à mandioca, mas maior. Este amido extraído da raiz tem a forma de um pó branco e terroso que, protegido da humidade, pode ser preservado durante anos.

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O kuzu é muitas vezes confundido com outro amido disponível no mercado que dá pelo nome de Araruta (Maranta arundinacea) e que é originário da Ásia e Austrália. Ambos são isentos de glúten e bons espessantes, mas as propriedades terapêuticas do kuzu ultrapassa largamente as da araruta, que são praticamente inexistentes.

O amido de Kuzu no Japão é um alimento muito comum, onde é usado para a preparação de pães recheados com geleia de azuki, uma sobremesa tradicional japonesa. Em Portugal, não é tão utilizado na culinária uma vez que é bastante mais caro que outros espessantes, sendo maioritariamente utilizado para aplicações terapêuticas, sobretudo difundidas pela filosofia macrobiótica.

No entanto, se quiser usar o Kuzu como espessante culinário, uma colher de chá de kuzu é igual a duas colheres de sopa de farinha de trigo ou uma colher de sopa de amido de milho.

Quais as propriedades terapêuticas do Kuzu?

A sua elevada percentagem de hidratos e fibras ajuda a regular as funções intestinais, combater a prisão de ventre, eliminar substâncias tóxicas do corpo e a melhorar a absorção de nutrientes no organismo. Além disso, a sua fibra ajuda a absorver menos açúcar e colesterol no sangue, ajudando desse modo a regularizar a diabetes e níveis elevados de colesterol.

Seu alto teor de isoflavonas, especialmente daidzeína, melhora a circulação sanguínea, diminui a pressão sanguínea, promove a irrigação cerebral, melhora o funcionamento do sistema nervoso e ajuda a prevenir doenças do sistema cardiovascular.

Possui propriedades relaxantes, combate o stresse e acalma o sistema nervoso e as emoções.

Ajuda a reduzir a febre e combater os sintomas da gripe, como dores musculares, dores de cabeça, mucosas irritadas, etc.

Muito útil para tratar cansaço crónico, apatia, depressão, etc …

É também usado para tonificar o fígado sobrecarregado e o intestino enfraquecido (dor nas articulações, hepatite, cirrose, “ressaca”, regeneração da flora intestinal, alergias, intoxicações e vícios, inflamação do intestino, diarreia, patologia pulmonar, processos infecciosos, problemas da pele…).

É um excelente tónico para o sistema imunitário.

Como tomar Kuzu?

Kuzu é um pó branco com sabor neutro. Como não tem sabor, podemos tomá-lo simples ou adicioná-lo a um sumo de maçã natural ou leite vegetal, se preferir o sabor doce, ou adicionar algumas gotas de molho de soja (por exemplo), se quiser um sabor salgado.

Devemos diluir uma colher de chá de kuzu moído numa chávena de água fria e levar a lume baixo, mexendo sempre com uma colher de pau. Depois de ferver deixar cozinhar por 2 minutos, até ficar translúcido e gelatinoso. É tomado quente e podemos beber duas ou três chávenas por dia (de preferência com o estômago vazio).

Pode ser tomado por bebés, crianças e é muito recomendado na gravidez pelas suas propriedades relaxantes e tranquilizantes.

Precauções

O Kuzu tem propriedades vasodilatadoras, portanto, deve ter-se cuidado ao tomá-lo junto com outros tratamentos vasodilatadores ou outros anticoagulantes, pois pode fluidificar demasiado o sangue, podendo ocorrer hemorragias.

Por: Susana Silva