A reflexologia é frequentemente vista como uma técnica de relaxamento, mas um estudo publicado em 2023 no World Journal of Clinical Cases analisou a sua eficácia em doenças autoimunes, incluindo:
- Esclerose múltipla
- Artrite reumatoide
- Lúpus
- Síndrome de Sjögren
- Psoríase autoimune
O objetivo foi avaliar se a reflexologia poderia influenciar:
- dor
- espasticidade
- fadiga
- qualidade de vida
- mobilidade
- inflamação percebida
👉 Ler o estudo original:
https://www.wjgnet.com/2307-8960/full/v13/i7/97403.htm
O que este estudo analisou
A review incluiu ensaios clínicos em pacientes com doenças autoimunes, destacando os resultados mais consistentes em esclerose múltipla.
Os parâmetros avaliados incluíram:
- intensidade da dor
- espasticidade muscular
- fadiga
- força muscular
- bem-estar físico
E, sempre que possível, dados quantitativos.
📊 Resultados Quantitativos Mais Relevantes
Embora a evidência na área ainda seja limitada, o estudo destaca vários ensaios com dados concretos, especialmente em esclerose múltipla.
1. Redução de espasticidade muscular
Numa intervenção de 10 semanas de reflexologia podal:
- redução média de 32% na espasticidade dos membros inferiores
(escala de Ashworth modificada)
2. Redução de dor
Num ensaio clínico cruzado:
- redução média de 25–31% na intensidade da dor
(avaliada pela escala visual analógica — EVA)
3. Melhoria da fadiga
Estudo com protocolo de reflexologia 2x/semana durante 6 semanas:
- redução de 22% na fadiga global
(Fatigue Severity Scale)
4. Melhoria de força muscular
Em pacientes com EM com fraqueza muscular:
- aumento de 12–18% na força dos músculos extensores
(medida por dinamometria)
5. Qualidade de vida
Em questionários específicos:
- melhoria de 15–20% no score físico e emocional
(SF-36)
Como interpretar estes resultados
A reflexologia não atua diretamente no sistema imunitário —
mas atua no sistema nervoso autónomo, reduzindo:
- simpático (alerta)
- tensão muscular crónica
- microcontracções involuntárias
- dor inflamatória
- fadiga neuroimunitária
Isso cria um ambiente fisiológico mais estável, que pode:
✔ reduzir a amplificação inflamatória
✔ diminuir perceção de dor
✔ reduzir espasmos involuntários
✔ melhorar mobilidade
✔ facilitar processos regenerativos
Em doenças autoimunes, onde há:
- inflamação crónica
- ativação autonómica constante
- fadiga sistémica
- espasticidade muscular
- dor neuroinflamatória
… estas melhorias são clinicamente relevantes.
Limitações reconhecidas no estudo
O trabalho identifica limitações importantes:
- amostras pequenas
- protocolos não padronizados
- poucos biomarcadores laboratoriais
- escassez de estudos exclusivamente em autoimunidade
Ainda assim, os resultados são consistentes em três áreas:
- Dor
- Espasticidade
- Fadiga
E mostram que a reflexologia tem impacto fisiológico mensurável,
não apenas relaxamento subjetivo.
Conclusão
O estudo de 2023 mostra que a reflexologia pode ter benefícios mensuráveis em várias doenças autoimunes, sobretudo na esclerose múltipla, com reduções claras em dor, espasticidade e fadiga.
Embora não substitua terapias médicas, pode ser uma ferramenta complementar importante na modulação do sistema nervoso autónomo, influenciando indiretamente inflamação e qualidade de vida.