Escoliose, respiração difícil e noites mal dormidas — o que aconteceu quando olhámos para o corpo de uma criança como um todo.
Terapeuta: Ana Raquel Pereira
Em poucas linhas
Uma menina de 4 anos apresentava escoliose, cifose com dores nas costas, palato ogival, secreções nasais, ressonar, respiração oral durante o sono e alguma perda auditiva. Também mostrava irritabilidade, dificuldade em adormecer e despertares noturnos.
Iniciou sessões quinzenais de terapia sacro-craniana (35–45 minutos cada), avaliando-se os resultados com fotografias e escalas de intensidade/frequência dos sintomas.
Ao longo das sessões, a postura melhorou, a audição normalizou, a criança deixou de ressonar e passou a dormir melhor. A irritabilidade diminuiu e o corpo mostrou sinais claros de maior equilíbrio.
“Adormecia durante as sessões, como se finalmente o corpo pudesse descansar.”
O que a criança sentia
Sintomas físicos
- Cansaço ao acordar
- Dores nas costas
- Secreções nasais esverdeadas
- Ressonar quase diário
- Dormir de boca aberta
- Perda auditiva (líquido no canal auditivo)
Sintomas emocionais
- Irritabilidade diária (birras, crises de choro)
- Despertares noturnos com dificuldade em voltar a dormir
- Dificuldade em adormecer (necessidade de aprovação, baixa confiança)
O que fizemos
Foi aplicado o Protocolo Base de Sacro-Craniana, com atenção especial às assimetrias do ritmo craniano e às disfunções relacionadas com o palato ogival e diafragma pélvico.
Plano: sessões de 2 em 2 semanas, com duração de 35 a 45 minutos.
Ideia central: não tratámos “apenas a postura”, mas sim o equilíbrio global entre corpo, respiração e emoções.
Linha do tempo (o essencial em 4 sessões)
Sessões 1–2: início com colaboração variável; dores nas costas e assimetrias ainda marcadas.
Sessão 3: alterações visíveis — sem cansaço ao acordar, menos irritabilidade, audição melhor.
Sessão 4: redução da cifose e da assimetria dos ombros, secreções menos intensas, despertares noturnos desapareceram.
Evolução emocional
- Início: irritabilidade acentuada, dificuldade em adormecer, grande ligação de dependência à mãe.
- Intermédio: maior capacidade de relaxar; adormecia nas sessões.
- Final: menos birras, mais calma ao fim do dia, mais confiança para dormir sozinha no próprio quarto.
O que mudou
- Postura: cifose e ombros assimétricos melhoraram.
- Respiração: deixou de ressonar, respira melhor, dorme com boca menos aberta.
- Audição: deixou de apresentar perda auditiva.
- Sono: despertares noturnos desapareceram; adormece melhor.
- Emoções: menos irritabilidade e crises de choro; maior tranquilidade.
E o palato duro?
Foi identificado bloqueio das estruturas do palato, que limitava a respiração e contribuía para os sintomas. O protocolo do palato duro foi recomendado como passo seguinte, com periodicidade de 3 em 3 semanas, complementando o trabalho sacro-craniano.
O que podemos aprender com este caso
- A sacro-craniana atua no corpo como um todo. Ao equilibrar o líquido cefalorraquidiano e libertar restrições, sintomas físicos e emocionais cedem em conjunto.
- As crianças respondem rapidamente. Alterações marcantes surgiram já a partir da 3.ª sessão.
- O contexto emocional importa. Sendo filha da terapeuta, houve desafio adicional na gestão da relação; ainda assim, os resultados mostraram-se consistentes.
- O timing faz diferença. Se tivesse iniciado logo após o parto (cesariana às 38 semanas), os benefícios poderiam ter sido ainda mais precoces.
