Se a Alma já sabe tudo, o que viemos cá fazer?

  • 24 Setembro, 2018

– Mestre, estou irritado!

– O que foi que se passou? Espero que não tenha sido comigo!

– A verdade é que foi mesmo contigo.

– Comigo?

– Sim. Contigo.

– Mas porquê? O que foi que eu fiz ou disse?

– Essa é que é a questão. Foi o que não disseste. Eu fiz-te uma série de perguntas, e tu não respondeste. Esquivaste-te, dizendo que já era tarde e que tinhas de ir embora!

– E que perguntas foram essas? Não me vais dizer que foi aquela história da alma!

– Sim, foi mesmo isso. As questões eram: qual a razão para não termos toda a informação desde o início? O que somos? Qual a nossa missão aqui? Qual o caminho que devo percorrer? Porque é que tudo isso não está claro desde o primeiro momento? Porque é que acabamos por morrer, sem termos a mínima ideia do que andamos a fazer? Em suma, qual a razão da minha existência?

A vida assim não consegue fazer sentido.

Para mim, teria bem mais sentido se eu soubesse logo qual o meu caminho. Esta dualidade é de tal modo, que as dúvidas e os receios me bloqueiam nas minhas decisões, pois nunca sei se é o caminho correcto…!

– Sabes, a primeira coisa a aceitar é que não há certos ou errados. Existem decisões a tomar, o assumir a responsabilidade, sem culpa e sem expectativas.

– Sim, sim, sobre isso já falámos antes, peço-te que não fujas à questão.

– Não estou a fugir à questão. Eu tento sempre responder a todas as questões por mais incómodas que algumas sejam, e quando não tenho resposta ou não sei nada sobre um determinado tema, digo-te logo. Vamos lá então responder às tuas questões.

   Imagina alguém que decidisse viver neste mundo, com os olhos e os ouvidos tapados e, para além disso, vestisse um fato que lhe limitasse significativamente o tacto, e logo que o fato fosse vestido, toda a memória passada seria apagada e estaria a começar do zero. Qual seria a razão para alguém fazer isso?

– Não sei. Não consigo entender a razão para alguém fazer uma coisa dessas!

– Pensa um pouco. Não o julgues e pensa na razão para alguém decidir fazê-lo.

– Bom, talvez para percepcionar este mundo de forma diferente, mas só consigo imaginar, se fosse alguém que já tivesse tudo e estivesse deveras aborrecido com a vida que levava, para entrar nesses radicalismos!

– Consegues pensar em mais alguma razão?

– Ligar-se ao seu interior desligando-se do exterior, percepcionar as vozes internas, poderiam ser outras razões para tal. “Experienciar” aquilo que não é, para poder entender aquilo que é, poderia ser outra possibilidade.

– Sim, tudo isso seriam possibilidades. Consegues imaginar mais alguma?

– Não, neste momento não estou a conseguir. Que mais é que poderia ser?

– Já pensaste na energia resultante da alegria, quando tivessem passado, por exemplo dois anos, e ele tirasse a venda dos olhos, os tampões dos ouvidos e despisse aquele fato?

– Bem, não tinha pensado nisso assim…

– Mas tudo o que disseste também está correcto. Todas as possibilidades que referiste potenciam ainda mais a energia libertada pela transformação. Ela seria imensa e eterna.

O universo precisa desse tipo de energia.

Se já soubesses o caminho, essa transformação não aconteceria, nem saberias quem efectivamente és, nem terias possibilidade de te conheceres na tua essência. Assumirias um facto de raiz sem saberes o que realmente significava, com a consequência da libertação energética ser diminuta.

– Mas Mestre, eu julgava que me ias dizer que era para eu aprender!

– Aprenderes o quê? A tua alma já sabe tudo. O que precisas é de “experienciar” o que não és, tal como referiste antes, para poderes libertar essa enorme energia, que é retornares àquilo que és. É como se passasses do Saber Saber, para o Saber Fazer,  para poderes Saber Ser.

Mas acima de tudo, aprenderes a amar-te tal como és, independentemente da forma como decidiste manifestar-te nesta plataforma energética

– Então, eu ando cá, neste mundo, para “experienciar” o que não sou, para depois morrer e através dessa transformação “energizar” o universo?!

– Sim, mas não precisas de morrer, podes fazê-lo sem abandonares o veículo corpóreo, ainda em vida, e viveres daí para a frente, sendo quem tu és.

– Como é que eu faço isso?

– Existe um processo para tal. Se precisares de ajuda para o fazer, posso ajudar-te. Na realidade, basta pedires, para que isso aconteça.

– Assim tão simples?

– Sim.

– Fala-me mais sobre isso, começo a ficar interessado!

– Trata-se do processo de ascensão, pedia-te para não ficares irritado comigo mas vai ficar para outra altura. Pensa primeiro no assunto e se for mesmo isso que queres, podes depois vir falar comigo.

Por: Paulo Pais in “Conversas com o Mestre”