Ser, Intenção e Satisfação

  • 24 Julho, 2018

– Mestre, isto agora ficou bem complexo. Ser, intenção e sentir-me satisfeito…

– Sim. O que é que isso tem de complexo?

– Não entendo bem como isso funciona.

– Tudo o que temos andado a falar desde que começámos estas conversas tem a ver com Ser, Intenção e Satisfação.

– Olha, não tinha conseguido entender dessa forma! Fazer aquele processo de aceitar-me, perdoar-me, sem medo, sem expectativas e sem julgamentos, não me permitiu ter uma visão mais global.

– Mas tem tudo a ver com o mesmo. O teu consciente é que manda. Ele deve decidir realmente o que quer ser, e ser, colocando intenção no processo. Mas o processo só é de facto real, se ele procurar saber se está satisfeito com os resultados atingidos e com o caminho percorrido. Quando a resposta não é a que ele gostaria, então deve mudar, procurando encontrar o caminho adequado para ele.

– Mas como é que ele faz isso?

– Perguntando e recebendo respostas.

– Só isso… Perguntar?

– Sim. Vou dar-te um exemplo. Imagina que estás desempregado.

Pergunta: Qual a razão para eu estar desempregado?

A resposta poderia ser: A empresa onde trabalhava fechou as suas instalações deslocando-se para outros países.

A pergunta seguinte poderia ser: Tive possibilidade de prever essa decisão por parte da empresa?

Resposta: Não. Tínhamos ganho vários prémios de produtividade e até estávamos cotados como um dos melhores centros de produção do grupo.

Pergunta: Estava satisfeito com o trabalho que fazia?

Resposta: Sim, mas sentia-me um pouco cansado, já me encontrava na mesma função havia pelo menos uns dez anos.

P: O que fiz para mudar a situação?

R: Falei algumas vezes com os meus superiores hierárquicos e até com o departamento de recursos humanos, mas sem qualquer sucesso.

P: Estava satisfeito com os resultados do meu esforço para mudar?

R: Não.

P: O que fiz para contrariar esse insucesso?

R: Não fiz mais nada.

P: Perguntei qual a razão para não permitirem a mudança?

R: Não. Pensei na altura que eu deveria ser importante para o departamento e por isso não me queriam deixar sair.

P: Coloquei a possibilidade de sair para outras empresas?

R: Não. Acomodei-me à situação.

(continua o discurso do Mestre)

– Perante os acontecimentos tentaste mudar a situação mas sem objectividade, sem um foco… não usaste a intenção. Mas para além disso, ainda deixaste que a insatisfação se instalasse sem fazeres nada para mudar a tendência do que estava a acontecer. Agora que estás desempregado precisas de inverter a situação. Vamos continuar então no processo de perguntas e respostas.

P: O que tenho feito para voltar ao trabalho?

R: O normal que se faz nestas situações. Enviar currículos, mas com a idade que tenho fica difícil.

P: Já defini onde quero trabalhar? Que tipo de empresa e em que actividade? Tenho as qualificações necessárias para o que essas empresas requerem? Já sei onde vou adquirir as qualificações que me faltam? Quando é que vou começar?

(o Mestre adianta)

– As respostas poderiam ser muitas mas vamos considerar que tudo, depois de alguma pesquisa e análise, era respondido de forma positiva.

P: Estou satisfeito com o plano?

R: Sim.

– Se não estivesses satisfeito terias de fazer a pergunta seguinte.

P: O que falta neste plano para que eu possa estar satisfeito e seguro quanto aos seus resultados?

– E se no final deste caminho os resultados não estivessem de acordo com o que esperavas ou o que tinhas planeado? Recomeçarias novamente, voltavas a fazer as mesmas perguntas, refazias o plano e iniciavas outro ciclo.

– Sim, já percebi. Mas onde é que isso iria parar?

– Essa é uma boa pergunta. Se continuássemos no processo iriamos descobrir que, o facto de estares desempregado se deveu apenas a teres mantido uma situação de insatisfação por tempo demasiado longo. O consciente não fez as perguntas adequadas.

Parou no processo apesar de não sentir satisfação.

Parou porque as respostas eram incómodas, ou dava muito trabalho colocá-las em prática, ou porque houve falta de persistência, desistindo ao fim de alguns insucessos.

Porque havia muitos “ses”.

Não colocou intenção no processo, ou seja, não definiu uma direcção.

Aceitou quando devia questionar. Em suma, não fez o seu papel de líder. Ficou agora mais claro o teu papel como consciente? Só deves parar o movimento quando te encontras satisfeito, se existem coisas ou situações que não te permitem estar totalmente satisfeito, então tens de questionar com intenção. O processo pararia quando atingisses o que queres realmente ser e estivesses totalmente satisfeito com isso.

– Mestre, isso é avassalador! Até já sinto arrepios pelo corpo todo! O que estás a dizer é que o que acontece na minha vida, mesmo aquilo que parece que está fora do meu controlo, resulta de uma fraca liderança e de falta de comunicação comigo próprio?

– Sim, é isso mesmo. Já vi que entendeste. E agora, estás pronto para assumir a liderança da tua empresa?

Por: Paulo Pais in “Conversas com o Mestre”